Volto à poesia popular, para dar a conhecer um poeta de Montemor-o-Novo, de nome José António Salgueiro.
Do seu livro "ESTAS PALAVRAS TÃO FORTES QUE MUITOS VÃO COMBATER", editado pela CENTELHA, em 1984, na Col. "CANTAMIGO - poesia popular", 1º volume (poemas 1937-1980), aqui fica uma poesia.

Depois de ter sido uma vida sapateiro, passou os últimos qurenta anos a fazer o que mais lhe agradava, viver com as plantas e dá-las a conhecer aos demais, na sua função de ervanário.
Nada sei dele , neste momento, mas a sua poesia fá-lo transcender essa meta que se chama morte e projectá-lo, para a eternidade.
O que for no atrelado,
onde embarca toda a gente,
obediente e calado,
vive feliz e contente
Para não ser detestado
assim tão rápidamente
terá que ficar calado
e deixar-se ir na corrente
Se apontar alguns defeitos
até mesmo com razão,
os que se julgam perfeitos
põem-no logo no chão
Em assunto a resolver,
p'ra ficar elucidado,
só se deve obedecer
depois de ter meditado.
(1978)
Mário Barradas, natural de Ponta Delgada, onde nasceu no dia 7 de Agosto de 1931, deixou-nos hoje aos 78 anos de idade.
Licenciado em Direito, mas o Teatro foi, desde muito novo, a sua opção, que exesceu em todas as suas principais vertentes: como actor, tradutor, encenador e mesmo autor.
Destaca-se o facto de ter siido um dos fundadores, em 1975, do Centro Cultural de Évora, antecessor do Centro Dramático de Évora (CENDREV), com sede no centenário, Teartro Garcia de Resende.
Segundo um comunicado da actual direcção do CENDREV, é destacado o contributo activo e fundamental para o desenvolvimento teatral português, nas últimas décadas, que Mário Barradas deu, acrescentando o facto de Mário Barradas, não ter sido um homem de consensos. Polémico, agressivo nas suas posiçoes, o seu contributo foi absolutamente determinante para a nossa formação teatral e também humana.
Este açoriano notável, foi també, fundador da Escola de Formação Teatral do CENDREV.
Toda a sua acção, bem como as "sementes", que ao longo dos anos deitou à terra, são bem evidentes, no desenvolvimento cultural do Alentejo.
Hoje, viro a Norte e sigo até à Beira Baixa, sem nunca deixar o Tejo e, por isso mesmo, deixar-vos uma receita de Sável, um belíssimo peixe de rio.

Sável sem Espinhas
Ingredientes:
Para 4 pessoas
Confecção:
Depois de amanhado, corta-se o sável em postas finíssimas e põem-se a marinar de um dia para o outro em 2,5 dl de vinagre, três dentes de alho picados e sal. Em seguida escorrem-se as postas de sável e espremem-se entre dois guardanapos. Esta operação tem duas finalidades: retirar o máximo de vinagre e o máximo de espinhas que deverão ficar agarradas aos guardanapos.
Passam-se as postas de sável por farinha e fritam-se em azeite.
Cortam-se ou picam-se as cebolas finamente e levam-se ao lume com um pouco do azeite em que o sável fritou (ou azeite novo), dois dentes de alho ás rodelas, a salsa e o louro. Deixa-se a cebola estalar, junta-se um pouco de água e de vinagre (0,5 dl).
Tempera-se com sal e pimenta e deita-se este molho sobre o peixe. Fica assim durante dois ou três dias.
Serve-se frio com batatas cozidas.
Depois de uma boa recta final, lá foi cumprido o desígnio de ser apurado, para o Mundial da África do Sul.
Numa homenagem aos que tudo fizeram para que isso acontecesse aqui deixo uma imagem de como se deve encarar o futebol.

Paulo Ferreira simboliza bem o querer e a entrega, que nos darão a vitória.
Agora, o marcador do nosso golo, Raúl Meireles.
Pois é, mais uma oportunidade, para os meus amigos e amigas, de Lisboa irem conviver com esta cantautor, desta vez no dia 3 de Dezembro no Onda Jazz e no dia 4, na Casa dos Açores de Lisboa.
Depois no dia 5, irá ser em Faro na Sociedade dos Artistas.
Segundo informações, pelo menos em Faro, terá a companhia das "MOÇOILAS".
Vamos lá estar para ver e conviver,
Não consegui resistir.
Procurei e encontrei, no "PAÍS, on line", esta magnífica descrição da vitória de ontem sobre a Tunísia de Humberto Coelho.
Fiz "copy paste", assim, sem mais e a notícia aqui fica, em homenagem ao País que me deu um filho e onde, sempre, me senti bem.

A selecção moçambicana, os “Mambas”, qualificou-se para o Campeonato Africano das Nações (CAN) 2010, ao receber e derrotar, na tarde de ontem, a congénere da Tunísia por uma bola sem resposta no decisivo embate da sexta e última jornada de apuramento à maior prova de futebol em África.
O tento solitário, mas precioso para a consumação das aspirações dos Mambas, foi apontado por Dário Monteiro aos 37 minutos da etapa complementar da partida, na sequência de uma assistência feita pelo capitão Tico-Tico, que entrava pelo corredor central da retaguarda do meio-campo tunisino.
Dário rematou em cheio para a defesa e figura do guarda-redes tunisino, Mathlouthi Aymen, mas a “turbo recarga” do avançado dos Mambas foi além da capacidade do”'keeper” das “Águias de Cartago”, “incendiando” de alegria os milhares de amantes da modalidade que se fizeram ao Estádio da Machava, “catedral da selecção”, para assistir a inevitável qualificação dos Mambas.
A explosão de Dário colocou o “Vale do Infulene” e o país inteiro (do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico) em “chamas de felicidade”, porque viam os Mambas a regressarem ao convívio da classe alta do futebol africano, na sequência da qualificação para o CAN2010.
As Águias de Cartago, que vieram a Moçambique com as plumas cheias, estavam confiantes na vitória, até porque os conceituados analistas de futebol estavam muito reticentes quanto a vitória dos Mambas dado o forte poderio e a posição da turma tunisina no Grupo 'B'.
Porém, a tradição é inviolável e ficou, uma vez mais provado, que os venenosos Mambas são invencíveis mordazes em seu território, bastando apontar a vistosa e soberba exibição frente as Águias de Cartago, bem como a forma como se portaram nesta campanha em todas as partidas disputadas em sua casa.
Ora vejamos, na abertura deste ciclo os Mambas receberam e empataram com as “Super Águias” da Nigéria sem abertura de contagem. Viajaram a Tunis onde perderam por duas bolas frente ao mesmo adversário com quem ajustaram ontem as contas. Na deslocação a Nairobi, perderam com o Quénia por duas bolas a uma.
Nas partidas subsequentes, os Mambas receberam e derrotaram as “Estrelas do Harambee” do Quénia por uma bola. Deslocaram-se a Abuja (Nigéria) onde deram uma autêntica “dor de cabeça”as Super Águias, apesar de terem perdido por uma bola sem resposta.
Ontem, tarde ensolarado, os Mambas receberam e derrotaram a Tunísia, gigante do futebol africano, que vinha buscar o seu quarto apuramento para um mundial.
Aliás, foram os Mambas que enterraram o sonho de qualificação da Tunísia para o quarto mundial, mas consumando a sua quarta aparição para o CAN, momento que vai, sem dúvida, ficar na memória e na retina dos milhares de moçambicanos que acompanharam o jogo.
O defesa Edson Sitói, ou simplesmente Mexer, voltou a mostrar um alto nível de serenidade tendo até sido o jogador dos Mambas que executou excelentes intervenções na retaguarda da selecção, inviabilizando as investidas da Tunísia.
O seleccionador moçambicano, Mart Nooij, substituiu, na segunda parte do encontro, Genito por Fumo e Miro deu seu lugar a Momed Haji.
No final do encontro, os Mambas dedicaram a preciosa vitória ao povo moçambicano que tanto torceu pela qualificação para o CAN, cuja última aparição de Moçambique foi em 1998, edição acolhida pelo Burkina Faso.
Texto e foto, retirado, com a devida vénia do: "PAÌS on line"
Assim mesmo, sem palavras, um grupo de que gosto muito, em especial do Manuel Cruz, um enorme talento.
Desde que, dela, tomei conhecimento que me causa alguma preplexidade.
Refiro-me à " tesa Moll ".
Como é que é possível uma "COISA" ser, em simultâneo, TESA E MOLE?
Trago-vos, hoje, um pintor catalão, Antoni Tàpies.
Habituei-me a vê-lo e a apreciar a sua arte, no Centro Cultural de S. Lourenço em Almancil.

Poeta Emanuel Félix
[1936-2004]
Grande poeta, crítico literário e de artes plásticas e especialista em restauro de obras de arte.
Emanuel Félix Borges da Silva nasceu em Angra do Heroísmo a 24 de Outubro de 1936 e faleceu no dia 14 de Fevereiro de 2004 na mesma cidade. Poeta, ensaísta, autor de contos e crónicas, crítico literário e de artes plásticas. Foi considerado o introdutor do concretismo poético em Portugal, que cedo rejeitou, tendo passado pela experiência surrealista. Fundou e foi co-director da revista Gávea (1958). É co-director da revista Atlântida, do Instituto Açoriano de Cultura. Iniciou os seus estudos nos Açores, tendo, porém, feito quase toda a sua preparação técnico-profissional no estrangeiro, designadamente no Instituto Francês de Restauro de Obras de Arte (Paris), na Escola Superior de Belas-Artes do Anderlecht e na Universidade Católica de Lovaina, onde se especializou no Laboratório de Estudo de Obras de Arte por Métodos Científicos do Instituto Superior de Arqueologia e História da Arte da mesma Universidade. Efectuou visitas de estudo e frequentou estágios de longa duração em institutos superiores e serviços científicos de museus de Paris, Ruão, Bruxelas, Liége, Amsterdão, Londres, Roma, Florença, etc. Bruxelas, 1981
PARA JOANA
Filha,
na areia movediça das palavras, eu tenho procurado, juro,
as que nasçam só nossas,
certas, insubstituíveis, insubmissas.
Com ternura lhes toco e as levo ao coração,
frias ou gastas quase sempre, de outros usos.
Como se fossem algas,
escorrem por entre os dedos que as seguram.
Outras, agarro-as bem, tinjo-as de sangue. São
as que me comovem.
Com elas choro e sigo a sua frustração de claunes que tornaram
[ainda mais triste cada infância.
Mas, persigo-as, sim, quero-as ainda, as palavras
trabalho-as
com a aplicação do alquimista.
E do athanor saem só pequenos peixes de ouro
que nada têm a ver com o mar que separa o velho galeão
que de gusanos
me construo
e o teu corpo de mulher que é preciso aceitar urgentemente.
Ou aceitar de outro modo:
como súbito se abrisse a porta da casa e lá fora estivesse caindo
[uma chuva quente que a todos nos molhasse de uma estranha doçura.
Ah, minha filha, com que rigor procuro
o sinal de sermos o que somos
neste rio sem margens
ou talvez nesta praia em cuja espuma quente
é possível molhar ritualmente os pés e as mãos e partir a correr
nus
em direcções opostas
sem nada sugerir
a morte nem a vida
apesar de ambas estarem sempre para chegar.
Ah, o que tenho procurado, juro.
E que inútil junto às frondosas árvores dos símbolos
mais doces mais íntimos mais ternos cruéis acusadores.
Também a esses os levo à altura do peito e os encontro escassos de forma.
Na bigorna não aguentam a violência apaixonada do ferreiro.
E, de novo, procuro entre nomes de flores cidades ou estrelas
e nem sequer nos empedrados rostos das catedrais que eu vi
encontrei nada que pudesse trazer para aqui
outras coisas que pudesse ir amontoando com o tempo
para ir compondo o poema, minha filha, que há dezasseis anos ando para te escrever
mas que não fui capaz
porque escusado é dizer que é dentro de mim que habita uma enorme rosa de fogo
que não se vê do lado das palavras ou das pedras.
. AÍ VAMOS NÓS PARA A ÁFRIC...
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