Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Os Ombros Suportam o Mundo


chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

tempo em que não se diz mais: meu amor.

porque o amor resultou inútil.
e os olhos não choram.
e as mãos tecem apenas o rude trabalho.
e o coração está seco.

em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
és todo certeza, já não sabes sofrer.
e nada esperas de teus amigos.

pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
as guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
alguns, achando bárbaro o espectáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
chegou um tempo em que não adianta morrer.
chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
a vida apenas, sem mistificação.


Carlos Drummond de Andrade


in "Sentimento do Mundo"

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publicado por felismundo às 18:43
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2 comentários:
De emiele a 1 de Maio de 2008 às 12:49
Mesmo de longe, aproveito chegar a um pc, para te fazer uma visita.
Excelente a presença da poesia no teu blog, meu amigo.
Nem precisa de mais nada para ganhar o dia!!!!
Bela escolha.


De felismundo a 1 de Maio de 2008 às 14:14
Antes de mais, um Bom 1º de Maio!
Era para ter uma maior intervenção, neste dia, mas o facto de estar a desfrutar de ter, comigo, os netos, não me deixou disponibilidade para tanto.
Depois, a poesia, deixa-nos sempre bem e revelar os grandes poetas da nossa língua, é um dever!


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