Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

UMA ILHA, UM FILME!

Talvez por estar nos Açores,  e motivado pela Emiéle, do Pópulo

 

 

Stromboli, do diretor Roberto Rossellini

Stromboli por uma miséria terrível demais… Stromboli por uma dor intensa demais… Stomboli por uma beleza grande demais… Rossellini cartografa a ilha de Stromboli com o olhar estrangeiro que revela o mais profundo de uma violência para a qual não há mais ação possível. Planos sucessivos fazem um duplo movimento de criação e apagamento. A ilha ou a terra devastada é repetidamente preenchida por naturezas mortas de personagens cristalizados no limite de situações que excedem. O porto, a pesca, a tempestade, a erupção vulcânica… Uma situação-limite : a gravidade da pesca, o abismo da banalidade, a inanição existencial. Stromboli é um mapa de afetos, território e fissura de uma Europa que convulsiona imóvel diante do inominável da guerra. “Estou acabada, tenho medo, que mistério, que beleza, meu Deus” Stromboli é a tensão disruptiva que arrebata o pensamento com a exterioridade impensável do que só pode ser pensado.

Sinopse:

Na Itália, após o fim da 2ª Guerra Mundial, Karen (Ingrid Bergman), uma lituana, se casa com um pescador, Antonio (Mario Vitale), para deixar de viver em Farfa, um campo de concentração, pois não conseguiu um visto de emigração para a Argentina. Porém a vida na aldeia de Antonio, que fica numa ilha no Mediterrâneo aos pés do vulcão Stromboli, é bastante dura. Karen não consegue se acostumar a isto, fazendo-a entrar em conflito com o marido e a população local.

Ficha Técnica:

Título Original: Stromboli, Terra di Dio
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 102 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1949
Estúdio: RKO Radio Pictures Inc. / Berit Films / Bero Productions
Distribuição: RKO Radio Pictures Inc.
Direção: Roberto Rossellini
Roteiro: Sergio Amidei, Art Cohn, Roberto Rossellini, Gian Paolo Callegari e Renzo Cesana, baseado em estória de Roberto Rossellini
Produção: Roberto Rossellini
Música: Renzo Rossellini
Fotografia: Otello Martelli
Edição: Yolanda Benvenuti

Elenco:

Ingrid Bergman (Karen)
Mario Vitale (Antonio)
Renzo Cesana (Padre)
Mario Sponzo (Homem do farol)
Gaetano Famularo

Curiosidades:

- Inicialmente seria Anna Magnani a protagonista de Stromboli.

- Após a troca de Anna Magnani por Ingrid Bergman a empresa produtora do filme decidiu por abandonar o projeto, como forma de protesto à mudança feita pelo diretor Roberto Rossellini. Como retaliação a empresa ainda produziu outro filme, Vulcano (1950), que possui o mesmo tema de Stromboli, foi rodado ao mesmo tempo, usou em parte das mesmas locações que Rossellini e era estrelado por Anna Magnani.

- O diretor Roberto Rossellini não trabalhou durante as filmagens com um roteiro escrito, e sim com um bloco de notas pessoais sobre a história do filme.

- Durante as filmagens de Stromboli a atriz Ingrid Bergman teve um caso extra-conjugal com o diretor Roberto Rossellini e ficou grávida de gêmeos. O assunto se tornou um escândalo nos Estados Unidos, fazendo com que ela fosse criticada por vários políticos e líderes religiosos e fechando as portas de Hollywood para a atriz. Bergman apenas voltou a filmar nos Estados Unidos 7 anos depois, ao rodar Anastácia, a Princesa Esquecida (1956).

- Este é o 1º de 6 filmes em que o diretor Roberto Rossellini e a atriz Ingrid Bergman realizaram juntos. Os demais foram Europa’51 (1951), Viagem pela Itália (1953), Nós, as Mulheres (1953), Joana D’Arc de Rossellini (1954) e O Medo (1955).

- Existe uma versão do filme com 81 minutos.

 

Nota: Os textos sobre o filme, foram repescados no: Carne Crua, a quem envio, as minhas melhores saudações.


publicado por felismundo às 07:00
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4 comentários:
De Emiéle a 15 de Dezembro de 2008 às 09:16
Primeiro, obrigada pelo link (e olha que saiu impecável)!!!
Depois fazes muito bem em lembrar o Rosselini , (e aliás atrás dele podemos recordar o neo-realismo italiano no cinema, e a revolução que foi) que foi o gigante do cinema que conhecemos. E os filmes que citas, «depois» da Ingrid são também marcos do cinema.
E, ainda bem que 'te inspirei' para este post . Com ele consegues apanhar muita coisa, até a visão dos valores da moralidade conservadora da época. Nesse campo o mundo tem dado uma volta completa!....


De felismundo a 15 de Dezembro de 2008 às 16:53
Essa dos links, foi demais. Não atinava com aquilo de forma alguma. Às tantas, reparo que na caixa, onde se escreve o que queremos postar, dizia: "Edição avançada" e "Edição em HTML", passei para esta última e aparece-me tudo cifrado, pelo que deduzi que fosse por ali, o que fiz, e deu certo, com as tuas indicações, é evidente.
Relativamente ao filme, quando o descobri no Carne Crua, fiquei logo com a ideia de o colocar na íntegra. pois era o programa para uma sessão num teatro de S. Paulo, pareceu-me que uma espécie de cineclube, e como era tão desenvolvida e com tanta informação suplementar, não ia deixar de fora.


De inframodal a 16 de Dezembro de 2008 às 16:49
Não tendo o filme, fotograma por fotograma, presente na minha cabeça, deixo aqui uma leve impressão:
- Que outra metáfora de beleza, tão agreste, tão sedutora, se confunde com aquela atávica sensação de aprisionamento, na lenta sfixia da incomunicabilidade.

Rosselini, em registo de certo modo documental, arrasta-nos para uma espiral insana, na qual, o senso de humanidade é percutantemente questionado e até, porque não dizê-lo, satirizado!


De felismundo a 17 de Dezembro de 2008 às 11:40
Como e quanto a tua visão de ilhéu, contribuiu para a tua análise!
De qualquer forma, agora sei, que irás rever o filme.


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