Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

ÀS QUINTAS, GASTRONOMIA!

Não é novidade para ninguém que a gastronomia alentejana assenta, na generalidade, no aproveitamento, do pouco que havia e na inventiva de quem a fazia e comia.

Tenho na minha frente um livrinho intitulado, "COZINHA DOS GANHÕES" - Doze receitas da cozinha alentejana, da autoria de Aníbal Falcato Alves, um HOMEM  que muito contribuíu, para a formação de muitos homens e mulheres, da minha cidade e do meu Alentejo.

Hoje, vou falar-vos da "SOPA DA PANELA", mas antes quero deliciar-vos com um testemunho de uma anciã, alentejana. Dizia ela:

"Quando cheguei a Lisboa, fui trabalhar para casa duma senhora que o marido era capitão dos Pupilos do Exército. E era chefe da contabilidade na Assistência Nacional aos Tuberculosos. Ele é que fazia as compras no Instituto. Tinha uma vida muito boa.

No dia que o meu marido saiu do hospital, que foi na véspera do Natal, matei três perús, naquela casa.

Ela deu-me a cabeça dum perú para eu fazer uma sopa para o meu marido comer.

Passei o dia de Natal sem acender lume porque não tinha petróleo nem dinheiro para o comprar."

Teresa Rosa Pinto 89 anos, viúva há 51 anos, 3ª classe incompleta, trabalhadora rural/mulher a dias. Natural de Pavia.

 

SOPA DA PANELA

 

750gr de perú

250gr de linguíça

250gr de toucinho

1 cebola grande

1 ramo de salsa

Sal

Água

Um molho de hortelã

 

Juntam-se o perú, a linguíça, o toucinho e a salsa, numa panela com sal e água suficientes.

Deixa-se cozer tudo.

Quando as carnes estiverem bem cozidas, verte-se o caldo numa terrina, sobre pão cortado às fatias e coberto por raminhos de hortelã.

As carnes e o toucinho, servem-se à parte, já partidinhos.

 

Agora, Bom Proveito!

 

Bom, já me esquecia, esta é uma outra versão:

 

Sopa da Panela

Época de Confecção: Outono/Inverno.

Ingredientes: 1 frango ou 1/2 galinha, ou 1/4 de peru, ou 1 bocado de borrego ou de vaca; 125g de toucinho fresco entremeado; 1 farinheira; 1 chouriço de carne pequeno (linguiça); 1 cebola; salsa; hortelã; sal; 150g de pão duro caseiro ou de segunda.

Descrição da receita: Introduz-se a carne, a cebola, a salsa, o chouriço, a farinheira e o toucinho em 3 litros de água fria. Retira-se a espuma que se forma durante a fervura e deixa-se cozer. Corta-se o pão aos quadrados ou fatias finas para dentro de uma terrina e dispõem-se por cima raminhos de hortelã. Retira-se a cebola e a salsa da panela. Cortam-se as carnes aos bocados e dispõem-se sobre o pão Rega-se com o caldo. Tapa-se a terrina e serve-se 5 minutos depois. Come-se com garfo e colher.


publicado por felismundo às 07:00
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3 comentários:
De Emiéle a 18 de Dezembro de 2008 às 09:17
Creio que nunca te disse mas é a altura para fazer uma confissão: adoro esta tua rubrica!
Com certeza que existem livros de culinária alentejana, mas eu não os conheço. E tens deixado aqui muitas receitas que eu, pessoalmente, nunca fiz embora comesse os pratos em casa dos meus pais e especialmente em casa da minha avó. Tinha-lhes perdido o rasto...
De um modo geral, este tipo de pratos leva o seu tempo a fazer (nem todos!) e às vezes leva ingredientes que não encontramos onde vivo. A tal «sopa de beldroegas» por exemplo (já nem sei se foi uma das receitas) é preciso encontrar as ditas...
Mas olha que mesmo sem comer, já os nomes me emocionam, e ando a fazer uma colecção destes teus posts para o «meu livro de cozinha».
Obrigada!


De felismundo a 18 de Dezembro de 2008 às 11:18
Como deves calcular, fico imensamente contente, com o que dizes e podes crer que irei, sempre, ser o mais fiel possível às ancestrais receitas do meu/nosso Alentejo.
Já agora, revelo-te a razão porque ainda não editei a receita da "sopa de beldroegas", é que ainda não é tempo dela. Essa era e deverá ser uma das razões maiores para a relevância que esta comida tinha e tem, pois "os comeres", feitos, na época, com os ingredientes na sua melhor fase e estrutura biológica, têm um sabor diferente, um sabor divinal!


De josé a 20 de Dezembro de 2008 às 18:54
É das minhas sopas preferidas. Ainda por cima a esta hora... fiquei com água na boca.


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