Sexta-feira, 6 de Março de 2009

CESTAS DE POESIA

 

 

Acordo ortográfico

 
Gosto do teu rosto exacto,
 
com o cê bem desenhado,
 
mesmo quando não se vê,
 
para te pôr, como laço
 
nos cabelos, o circunflexo
 
em que nenhum traço há-de
 
sair, mesmo que um pacto
 
sem cê nem concessão te
 
roube o pê nessa pose
de pura concepção.

Nuno Júdice

 

Nuno Júdice

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Nuno Júdice (Mexilhoeira Grande, 1949) é um ensaísta, poeta, ficcionista e professor universitário português.

Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa e obteve o grau de Doutor pela Universidade Nova, onde é Professor Catedrático, apresentando, em 1989, uma dissertação sobre Literatura Medieval. Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal e Director do Instituto Camões em Paris, publicou antologias, edições de crítica literária, estudos sobre Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa e mantém uma colaboração regular na imprensa. Divulgador da literatura portuguesa do século XX, lançou, em 1993, Voyage dans un siècle de Littérature Portugaise. Organizou a Semana Europeia da Poesia, no âmbito da Lisboa '94 - Capital Europeia da Cultura.

Poeta e ficcionista, a sua estreia literária deu-se com A Noção de Poema (1972). Em 1985 receberia o Prémio Pen Clube, o Prémio D. Dinis da Casa de Mateus, em 1990. Em 1994 a Associação Portuguesa de Escritores, distinguiu-o pela publicação de Meditação sobre Ruínas, finalista do Prémio Europeu de Literatura Aristeion. Assinou ainda obras para teatro e traduziu autores como Corneille e Emily Dickinson.

Foi Director da revista literária Tabacaria, editada pela Casa Fernando Pessoa e Comissário para a área da Literatura da representação portuguesa à 49ª Feira do Livro de Frankfurt. Tem obras traduzidas em Espanha, Itália, Venezuela, Inglaterra e França.


publicado por felismundo às 07:00
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2 comentários:
De inframodal a 6 de Março de 2009 às 15:03
À margem da polémica, o erotismo bem subtil de um grande poeta de língua portuguesa. Quanto ao acordo ortográfico até já custa bater no ceguinho, mas exceptuando alguns editores para quem a possibilidade de lucro transvasa todos os moralismos, quem é que de bom senso encarreira nessa fileira da precarização da nossa língua?


De felismundo a 8 de Março de 2009 às 12:51
Para lá do elogio que fazes a esse grande poeta da nossa língua, levantas uma questão curiosa, exactamente a língua. Todos sabemos que a língua, não é uma coisa estanque e que a evolução da mesma a vai modificando ao longo dos tempos, mas também compreendo que não devemos embarcar em situações que corrompem a dita e que lhe alteram o sentido, por lei, sem retorno. Enfim, sinais dos tempos!!!


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