Domingo, 27 de Junho de 2010

MÚSICAS AO DOMINGO

Um registo diferente, a mesma qualidade ou mais uma revelação do multifacetismo do artista.

 

Tema integrado na 5ª edição do projecto da Vox Cordis "Sharing the Music", realizada no Coliseu Micaelense em Ponta Delgada, Açores, em Outubro de 2009

 

 

 

música: El Tango de Roxane

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Sábado, 26 de Junho de 2010

NOS SÁBADOS, PINTURA

MALANGATANA VALENTE

 

http://nunoanjospereira.files.wordpress.com/2009/01/2511683926_b056351535_o1.jpg

 

 

BIOGRAFIA Malangatana (Valente Ngwenya) nasceu em Matalana, Província de Maputo, a 6 de Junho de 1936.Frequentou a Escola Primária em Matalana e posteriormente, em Maputo, os primeiros anos da Escola Comercial. Foi pastor de gado, aprendiz de nyamussoro (médico tradicional), criado de meninos, apanhador de bolas e criado no clube da elite colonial de Lourenço Marques. Tornou-se artista profissional em 1960, graças ao apoio do arquitecto português Miranda Guedes (Pancho) que lhe cedeu a garagem para atelier. Acusado de ligações à FRELIMO, foi preso pela polícia colonial quando duma leva de prisões que levou á cadeia, entre outros, os poetas José Craveirinha e Rui Nogar.


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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

HOJE, MOÇAMBIQUE É UM PAÍS INDEPENDENTE HÁ TRINTA E CINCO ANOS.

Comemora-se hoje o trigésimo quinto aniversário de Moçambique, "Terra Mãe" de um dos meus filhos.

Assiná-lo a data, com um poema de um dos seus mais significativos poetas, NOÉMIA DE SOUSA.

 

http://1.bp.blogspot.com/_6eJIYoTid98/SaVDTlun5oI/AAAAAAAAAOw/E2Kn2Cxp9PY/s400/noemia_de_sousa-1-1.jpg


Negra

Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos
quiseram cantar teus encantos
para elas só de mistérios profundos,
de delírios e feitiçarias...
Teus encantos profundos de Africa.

Mas não puderam.
Em seus formais e rendilhados cantos,
ausentes de emoção e sinceridade,
quedas-te longínqua, inatingível,
virgem de contactos mais fundos.
E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual,
jarra etrusca, exotismo tropical,
demência, atracção, crueldade,
animalidade, magia...
e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.

Em seus formais cantos rendilhados
foste tudo, negra...
menos tu.

E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a nós,
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
sofrimento,
a glória única e sentida de te cantar
com emoção verdadeira e radical,
a glória comovida de te cantar, toda amassada,
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE


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CESTAS DE POESIA

Miguel Torga

Miguel Torga

 

Miguel Torga, pseudónimo de Adolfo Correia Rocha (São Martinho de Anta - Vila Real, 12 de Agosto de 1907 — Coimbra, 17 de Janeiro de 1995), foi um dos mais importantes escritores portugueses do século XX.

Filho de gente humilde do campo do concelho de Sabrosa (Alto Douro), frequentou brevemente o seminário, e emigrou para o Brasil em 1920, com doze anos, para trabalhar na fazenda do tio, na cultura do café. O tio apercebe-se da sua inteligência e patrocina-lhe os estudos liceais, em Leopoldina. Distingue-se como um aluno dotado. Em 1925 regressa a Portugal. Em 1927 é fundada a revista Presença de que é um dos colaboradores desde o início. Em 1928 entra para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publica o seu primeiro livro, "Ansiedade", de poesia. É bastante crítico da praxe e tradições académicas, e chama depreciativamente "farda" à capa e batina, mas ama a cidade de Coimbra, onde viria também a exercer a sua profissão de médico a partir de 1939 e onde escreve a maioria dos seus livros. Em 1933 concluiu a formatura em Medicina, com apoio financeiro do tio do Brasil. Exerceu no início nas terras agrestes transmontanas, de onde era originário e que são pano de fundo da maior parte da sua obra.

A obra de Torga tem um carácter humanista: criado nas serras transmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos de perpetuação da Natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da Natureza: sem o homem, não haveria searas, não haveria vinhas, não haveria toda a paisagem duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnífica de muitas gerações de trabalho humano. Ora, estes homens e as suas obras levam Torga a revoltar-se contra a Divindade Transcendente a favor da imanência: para ele, só a humanidade seria digna de louvores, de cânticos, de admiração: (hinos aos deuses, não/os homens é que merecem/que se lhes cante a virtude/bichos que cavam no chão/actuam como parecem/sem um disfarce que os mude).

Para Miguel Torga, nenhum deus é digno de louvor: na sua condição omnisciente é-lhe muito fácil ser virtuoso, e enquanto ser sobrenatural não se lhe opõe qualquer dificuldade para fazer a Natureza - mas o homem, limitado, finito, condicionado, exposto à doença, à miséria, à desgraça e à morte é também capaz de criar, e é sobretudo capaz de se impor à Natureza, como os trabalhadores rurais transmontanos impuseram a sua vontade de semear a terra aos penedos bravios das serras. E é essa capacidade de moldar o meio, de verdadeiramente fazer a Natureza mau grado todas as limitações de bicho, de ser humano mortal que, ao ver de Torga fazem do homem único ser digno de adoração.

Considerado por muitos como um avarento de trato difícil e carácter duro, foge dos meios das elites pedantes, mas dá consultas médicas gratuitas a gente pobre e é referido pelo povo como um homem de bom coração e de boa conversa. Foi o primeiro vencedor do Prémio Camões.

(Wikipédia)

 

Lembrei-me de voltar a TORGA e ao seu"DIÁRIO XII".

 

Assim, em 20 de Junho de 1974, em Coimbra, deixava-nos este poema.

 

FLECHA

 

Seta de um arco tenso disparado,

Vou cego e apontado

Ao alvo que o destino me destina.

Ali termina,

Inglória,

A curva trajectória

Da minha vida.

Insólita aventura,

Tão breve, tão impura,

Tão absurdamente acontecida!


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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

ÀS QUINTAS, GASTRONOMIA!

075.jpg image by CarlaGV

 

 

Boleima


Ingredientes:

  • 1 kg de massa de pão
  • 500 g de açúcar
  • 250 g de banha
  • 6 ovos
  • raspa da casca de 1 limão
  • 1 colher de chá de fermento
  • canela

Confecção:

Batem-se muito bem todos os ingredientes com a excepção da canela e de um pouco de açúcar que servirá para polvilhar a boleima.
Quando a massa se apresentar macia e com bolhas, deita-se num tabuleiro bem untado.
Polvilha-se com açúcar e canela e leva-se a cozer em forno moderadamente quente.


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Domingo, 20 de Junho de 2010

Singela homenagem a Saramago

Escolhi para epitáfio, uma "Quadra Popular".

 

L"Sempre fui um ateu tranquilo, mas que agora estou mudando de  ideia".

"Sempre fui um ateu tranquilo, mas agora estou mudando de idéia". (José Saramago)

 

"Eu devo o meu corpo à terra.

A terra, me está devendo.

A terra, me pague em vida,

Qu'eu pago à vida, em morrendo!"

 

José, ficarás, eternamente, nos nossos corações!!!

 



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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

CESTAS DE POESIA

Deixem-me não dizer mais nada.

 

 

 Fala do Velho do Restelo ao Astronauta

Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.

José Saramago (19/10/1998)


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Domingo, 13 de Junho de 2010

MÚSICAS AO DOMINGO

 

 

 

 

música: Sete Mares

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Sábado, 12 de Junho de 2010

NOS SÁBADOS, PINTURA

Para que saibam, chama-se RUI ALVES e é alentejano, de Estremoz.

 

 

sinto-me:

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Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

CESTAS DE POESIA

Fernando Assis Pacheco nasceu em Coimbra em 1 de Fevereiro de 1937. Licenciou-se em Filologia Germânica na Universidade de Coimbra, cidade onde viveu até 1961, ano em que foi para a tropa. Durante a adolescência foi actor de teatro e redactor da revista Vértice. Foi expedicionário em Angola pelo que, à data da publicação do seu primeiro livro, Cuidar dos Vivos, ainda se encontrava no continente africano. Foi um brilhante tradutor, tendo vertido para língua portuguesa obras de Pablo Neruda e Gabriel García Márquez, entre outros. O seu nome nunca será esquecido no mundo do jornalismo, tendo trabalhado no JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, n'O Jornal, na Visão, no Diário de Lisboa e no República. As suas principais obras de poesia são Cuidar dos Vivos, Memória do Contencioso e A Musa Irregular. Em prosa deixou-nos obras como Walt e Trabalhos e Paixões de Benito Prada. Faleceu no dia 30 de Novembro de 1995, em Lisboa, à porta da livraria Buchhölz.
Na colecção «Obras de Fernando Assis Pacheco», a Assírio & Alvim publicou até à data: Respiração Assistida [2003], Memórias de Um Craque [2005]), A Musa Irregular [2006], Walt ou O Frio e o Quente [2007], com capas sobre desenhos de Bárbara Assis Pacheco, filha do autor.

Monólogo e explicação

Mas não puxei atrás a culatra,
não limpei o óleo do cano,
dizem que a guerra mata: a minha
desfez-me logo à chegada.

Não houve pois cercos, balas
que demovessem este forçado.
Viram-no à mesa com grandes livros,
com grandes copos, grandes mãos aterradas.

Viram-no mijar à noite nas tábuas
ou nas poucas ervas meio rapadas.
Olhar os morros, como se entendesse
o seu torpor de terra plácida.

Folheando uns papéis que sobraram
lembra-se agora de haver muito frio.
Dizem que a guerra passa: esta minha
passou-me para os ossos e não sai.

Pacheco, Fernando Assis (2006), Musa Irregular, Lisboa: Edições Asa, p. 40-41

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