Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

MÚSICAS

 

Na música, como na vida, ter amigos é essêncial!
Um amigo fez-me chegar este vídeo e, como é evidente, não resisti a publicá-lo pois entendo que os meus amigos e demais visitantes do "estou na sesta", terão todo o gosto em o visionar.
Que lhes traga tanto prazer, quanto me trouxe a mim!!!
sinto-me:

publicado por felismundo às 11:16
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Sábado, 23 de Outubro de 2010

PORQUE, ME CHEGOU A SAUDADE

Será que ainda alguém se lembra?

Deixo-vos esse problema e estas magníficas imagens que são bem o relato do que se passou depois, para dourar a situação essa parceria, ímpar, da música açoriana: Zeca Medeiros e Susana Coelho.

 

sinto-me:
música: INVERNO

publicado por felismundo às 12:25
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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

CESTAS DE POESIA

O PROFESSOR DE LITERATURA

 

O professor de literatura

doutorado em poética

fala ex-cátedra

aos alunos

da para-literatura

contra-literatura

do sub-texto

do inter-texto

da nomenclatura

os alunos ficam

todos alunados

suados

aluados

com semelhante cultura

 

O professor

mexe

remexe

na derme

epiderme

da poesia

 

O professor

tira

destira

cobre

descobre

diz cobre

diz prata

diz que diz

não diz que disparata

codifica

descodifica

não ata

nem desata

e fica por fora

do ouro

da poesia

 

Namora

desnamora

não namora

por dentro

com a poesia

 

mama

 

desmama

mas não dorme

com ela

na cama

 

Mendes de Carvalho

(1927-1988)

in, Noite Branca- 1994 - ed. póstuma


publicado por felismundo às 10:20
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

MÚSICAS

Foram estes, os grandes vencedores do Prémio MEGAFONE

 

 

Galandum Galundaina e Tiago Pereira vencem Prémios Megafone


A banda Galandum Galundaina e o cineasta Tiago Pereira venceram no domingo a primeira edição dos prémios Megafone, que distinguem projetos nacionais que estimulem a renovação da música de raiz tradicional.

 

Os prémios Megafone, criados pela associação cultural Megafone 5 em homenagem ao músico João Aguardela, que morreu em 2009, e que pretendem estimular a renovação da música portuguesa de inspiração tradicional, decorreram no domingo à noite no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Os Galandum Galundaina venceram a categoria Prémio Megafone Música, por criarem música nova tendo como matriz a música popular e tradicional portuguesa, à imagem de João Aguardela, enquanto Tiago Pereira venceu o Prémio Missão, de reconhecimento por um trabalho fora do âmbito musical que contribui para o espírito de renovação da música de inspiração tradicional.

 

FONTE:

Diário Digital / Lusa


publicado por felismundo às 10:03
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Domingo, 17 de Outubro de 2010

MÚSICAS AO DOMINGO

música: La Poesia Es Una Arma Cargada de Futuro

publicado por felismundo às 07:00
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Sábado, 16 de Outubro de 2010

SÁBADO, HOJE APETECE-ME VARIAR

Assim sem mais, dou a palavra aos que a merecem.

Desta vez, Vergílio Ferreira!

 

Outros Escritos, De Outros Autores...


"Meu amigo:

Escrevo-te para daqui a um século, cinco séculos, para daqui a mil anos... É quase certo que esta carta te não chegará às mãos ou que, chegando, a não lerás. Pouco importa. Escrevo pelo prazer de comunicar. Mas se sempre estimei a epistolografia, é porque é ela a forma de comunicação mais directa que suporta uma larga margem de silêncio; porque ela é a forma mais concreta de diálogo que não anula inteiramente o monólogo. Além disso, seduz-me o halo de aventura que rodeia uma carta: papel de acaso, redigido numa hora intervalar, um vento de acaso o leva pelos caminhos, o perde ou não aí, o atira ao cesto dos papéis e do olvido, ou o guarda entre os sinais da memória. Por sobre tudo, porém, agrada-me falar desde o centro deste Inverno e desta cidade mortal que me cercam.

Ouço as vozes subterrâneas à alegria mecânica, aos passos cronometradas,à azáfama de nervo e esquecimento que adivinho ao longe, numa metrópole-síntese construída em arame e cimento, e é bom que essas vozes ressoem na minha boca.

Vergílio Ferreira
in, "Carta ao Futuro"


publicado por felismundo às 07:00
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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

CESTAS DE POESIA

A POESIA DE ANTÓNIO ALEIXO

 

http://algarvepress.net/fotos/2523_antonio_aleixo.jpg

 

 

Porque o Povo Diz Verdades

 

Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande prisão sem grades
Onde há já milhares de anos
A razão vive enjaulada.

Vem perto o fim do capricho
Dessa nobreza postiça,
Irmã gémea da preguiça,
Mais asquerosa que o lixo.

Já o escravo se convence
A lutar por sua prol
Já sabe que lhe pertence
No mundo um lugar ao sol.

Do céu não se quer lembrar,
Já não se deixa roubar,
Por medo ao tal satanás,
Já não adora bonecos
Que, se os fazem em canecos,
Nem dão estrume capaz.

Mostra-lhe o saber moderno
Que levou a vida inteira
Preso àquela ratoeira
Que há entre o céu e o inferno.

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."


publicado por felismundo às 11:45
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Domingo, 3 de Outubro de 2010

MÚSICAS AO DOMINGO

sinto-me:
música: "Ay de mi Primavera"

publicado por felismundo às 07:00
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

CESTAS DE POESIA

«Saudades do Carlos de Oliveira», acrílico s/ tela, 53 x 45, 1988, col. particular. Exposto na Galeria Nasoni (1989), em Vila Franca de Xira (1991), na exposição Carlos de Oliveira (1992).

«Saudades do Carlos de Oliveira», acrílico s/ tela, 53 x 45, 1988,

col. particular. Exposto na Galeria Nasoni (1989), em Vila Franca de Xira (1991),

na exposição Carlos de Oliveira (1992).

 

 

Carlos de Oliveira (Belém do Pará, 10 de Agosto de 1921 — Lisboa, 1 de Julho de 1981) foi um escritor português.

Filho de emigrantes portugueses, só viveu no Brasil os dois primeiros anos de vida: em 1923, os seus pais regressam a Portugal, acabando por se fixar na região de Cantanhede, mais precisamente na aldeia de Febres, onde seu pai exercia medicina. Em 1933 muda-se para Coimbra, cidade onde permanece durante quinze anos, a fim de concluir os estudos liceais e universitários. Ingressa na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1941, onde estabelece amizade, convívio intelectual e solidariedade ideológica e política com outros jovens, entre os quais Joaquim Namorado, João Cochofel e Fernando Namora.

Em 1942 publica o seu primeiro livro de poemas Turismo, com ilustrações de Fernando Namora, integrado na colecção Novo Cancioneiro e em 1943 publica o seu primeiro romance, Casa na Duna. Em 1944, o romance Alcateia, será apreendido, lançando nesse mesmo ano a segunda edição de Casa na Duna.

Em 1945 publica um novo livro de poesias, Mãe Pobre. Os anos 1945 e seguintes serão, para Carlos de Oliveira, bem profícuos quanto à integração e afirmação no grupo que veicula e auspera por um “novo humanismo”, com a participação nas revistas Seara Nova e Vértice e a colaboração no livro de Fernando Lopes Graça Marchas, Danças e Canções – colectânea de poesias de vários poetas, musicadas por aquele, canções que vieram a ser conhecidas por “heróicas”.

Termina em 1947 a sua Licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, e no ano seguinte instala-se definitivamente em Lisboa, não deixando, contudo, de se deslocar periodicamente a Coimbra e à Gândara. Em 1949 casa com Ângela, jovem madeirense que conhecera na Faculdade, que será sua companheira e colaboradora permanente.

Em 1953 publica Uma Abelha na Chuva, o seu quarto romance e, unanimemente reconhecido como uma das mais importantes obras da literatura portuguesa, estando integrado nos conteúdos programáticos da disciplina de português no ensino secundário.

Em 1957 organiza, com José Gomes Ferreira, numa abordagem do imaginário popular os dois volumes de Contos Tradicionais Portugueses, alguns deles posteriormente adaptados ao cinema por João César Monteiro.

Em 1968 publica dois novos livros de poesia, Sobre o Lado Esquerdo e Micropaisagem e colabora com Fernando Lopes no filme por este realizado e terminado em 1971, Uma Abelha na Chuva, a partir da obra homónima. Publica em 1971 O Aprendiz de Feiticeiro, colectânea de crónicas e artigos, e Entre Duas Memórias, livro de poemas, pelo qual lhe é atribuído no ano seguinte o Prémio de Imprensa. Em 1976 reúne toda a sua poesia em Trabalho Poético, dois volumes, apresentando os livros anteriores, revistos, e os poemas inéditos de Pastoral, livro que será publicado autonomamente no ano seguinte. Publica em 1978 o seu último romance Finisterra, paisagem povoada de inspiração gandaresa, obra que lhe proporciona a atribuição do Prémio Cidade de Lisboa, no ano seguinte.

Morre na sua casa em Lisboa a 1 de Julho de 1981.

 

Soneto da Chuva

 

Quantas vezes chorou no teu regaço
a minha infância, terra que eu pisei:
aqueles versos de água onde os direi,
cansado como vou do teu cansaço?
Virá abril de novo, até a tua
memória se fartar das mesmas flores
numa última órbita em que fores
carregada de cinza como a lua.
Porque bebes as dores que me são dadas,
desfeito é já no vosso próprio frio
meu coração, visões abandonadas.
Deixem chover as lágrimas que eu crio:
menos que chuva e lama nas estradas
és tu, poesia, meu amargo rio.

Carlos de Oliveira, in 'Terra de Harmonia'


publicado por felismundo às 09:58
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