Terça-feira, 28 de Junho de 2011

HOJE, DEU-ME PARA ISTO!!!

 

 

ALENTEJO

 


Folheia-se o caderno e eis o sul


E o sul é a palavra. E a palavra 


Desdobra-se 


No espaço com suas letras de 


Solstício e de solfejo


Além de ti


Além do Tejo


Verás o rio e talvez o azul 


Não o de Mallarmé: soma de branco e de vazio


Mas aquela grande linha onde o abstracto 


Começa lentamente a ser o 


Sul

 

Outro é o tempo


Outra a medida 



 

Tão grande a página


Tão curta a escrita

 



Entre o achigã e a perdiz


Entre chaparro e choupo

 



Tanto país


E tão pouco

 

Solidão é companheira 


E de senhor são seus modos 


Rei do céu de todos


E de chão nenhum

 



À sombra de uma azinheira


Há sempre sombra para mais um


Na brancura da cal o traço azul


Alentejo é a última utopia



Todas as aves partem para o sul


Todas as aves: como a poesia

 

Manuel Alegre (Alentejo e ninguém)


publicado por felismundo às 20:00
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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011

MÚSICA DE CABO VERDE

Uma dedicatória, muito especial para o António Sousa!!!

publicado por felismundo às 13:06
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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

PORTUGAL, DE QUE É QUE "TU" ESTÁS À ESPERA.....

Foto de José Palmeiro

Neste momento, em que decorre a tentativa de eleição do futuro Presidente da Assembleia da República, nada melhor me sugere o estado em que nos encontramos.

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publicado por felismundo às 15:38
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Sábado, 18 de Junho de 2011

POESIA, TAMBÉM AO SÁBADO!!!

 

 João de Deus (1830-1896)

 

 

O DINHEIRO

 

O Dinheiro O dinheiro é tão bonito,
Tão bonito, o maganão!
Tem tanta graça, o maldito,
Tem tanto chiste, o ladrão!
O falar, fala de um modo...
Todo ele, aquele todo...
E elas acham-no tão guapo!
Velhinha ou moça que veja,
Por mais esquiva que seja,
                            Tlim!
                            Papo.

E a cegueira da justiça
Como ele a tira num ai!
Sem lhe tocar com a pinça;
E só dizer-lhe: «Aí vai...»
Operação melindrosa,
Que não é lá qualquer coisa;
Catarata, tome conta!
Pois não faz mais do que isto,
Diz-me um juiz que o tem visto:
                            Tlim!
                            Pronta.

Nessas espécies de exames
Que a gente faz em rapaz,
São milagres aos enxames
O que aquele demo faz!
Sem saber nem patavina
De gramática latina,
Quer-se um rapaz dali fora?
Vai ele com tais falinhas,
Tais gaifonas, tais coisinhas...
                            Tlim!
                            Ora...

Aquela fisionomia
É lábia que o demo tem!
Mas numa secretaria
Aí é que é vê-lo bem!
Quando ele de grande gala,
Entra o ministro na sala,
Aproveita a ocasião:
«Conhece este amigo antigo?»
— Oh, meu tão antigo amigo!
                            (Tlim!)
                            Pois não!



João de Deus, in 'Campo de Flores'


publicado por felismundo às 11:58
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

UM POEMA AO ACASO

Apesar de não ser Domingo, apesar de não ser Sexta, sabe sempre bem um POEMA!

 


publicado por felismundo às 18:47
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

PÓS - ELEIÇÕES


DÓI-ME O PEITO

 

Dr.
dói-me o peito
do cigarro
do bagaço
do catarro
do cansaço
dói-me o peito
do caminho
de ida e volta
do meu quarto
à oficina
sem parar
sempre a andar
sempre a dar
dói-me o peito
destes anos
tantos anos
de trabalho e combustão
dói-me o luxo
dói-me os fatos
dói-me os filhos
dói-me o carro
de quem pode
e eu a pé
sempre a pé
dói-me a esperança
dói-me a espera
pelo aumento
pela reforma
pelo transporte
pela vida e pela morte.

Dr.
já estou farto
de não ser
mais que um braço
para alugar
foi-se a força
e o meu corpo
é como o mosto pisado
como um pássaro insultado
por não poder mais voar.

Dr.
eu não sei ler
os caminhos
por dentro
dos hospitais
mas alguém há-de aprender
entre as rugas do meu rosto
o que não vem nos jornais
e não há nada no mundo
nem discurso
nem cartaz
capaz de gritar mais alto
que as palmas das minhas mãos
que o meu sorriso sem jeito,

Dr.
Dói-me o peito…



José Fanha

Eu sou Português aqui, ed. Ulmeiro

sinto-me:

publicado por felismundo às 10:47
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Domingo, 5 de Junho de 2011

EM DIA DE ELEIÇÕES

Certo e sabido que, um dia, teria que voltar.
Este dia chegou, carregado de preocupações e de incertezas, por isso aqui vos deixo algo para reflectirem.

 

" Após ter arrancado o aluno às sua pulsões de vida, o sistema educativo passa a empurrá-lo artificialmente, com vista a conduzi-lo ao mercado de trabalho, onde há-de continuar a recitar até à náusea o refrão aprendido nos verdes anos: que ganhe o melhor!

Mas ganhe o quê? Mais inteligência sensível, mais afeição, mais serenidade, mais lucidez sobre si mesmo e sobre as circunstâncias, mais meios de agir sobre a sua própria existência, mais criatividade? Não senhor - mais dinheiro e mais poder, num universo que detiorou o dinheiro e o poder à força de por eles ser detiorado."

 

In.: "Aviso aos alunos do básico e do secundário" de Raoul Vaneigem

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publicado por felismundo às 10:37
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