Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

ÀS QUINTAS, GASTRONOMIA!

Volto à normalidade mas, desta vez para homenagear quem muito fez pela divulgação da Cultura Gastronómica Alentejana.

Refiro-me a Manuel Camacho Lúcio, autor do livro: "COZINHA REGIONAL DO BAIXO ALENTEJO", editado pela PRESENÇA, na colecção HABITAT e que tão esquecido tem andado, nos últimos tempos.

 

"Cava, cava

Meu irmão

Parte os rins e monda

Ceifa

E parte-os de novo

Sua, sua na faina da eira

Esmaga o grão.

E no fim,

Meu irmão,

Talvez comas o pão."

 

O PÃO

 

           

 

" Desde tempos imemoriais que o pão tem servido de base à alimentação das populações rurais.

 Fazia-se de farinha de trigo, de milho, de centeio e de quase todas as gramíneas, sem esquecer que a boleta, depois de seca, também foi muito usada na alimentação humana.

 Na região de que vos estou a falar, e até em épocas mais recuadas, usava-se apenas a farinha de trigo. O milho só aparece muito tarde, mas, no Baixo Alentejo, não se utilizava para  fazer o pão.

 A maioria dos cereais foi introduzida na Lusitânea pelos Romanos, que fizeram dos campos alentejanos um fornecedor do império. Mas foram os Árabes que nos deram as azenhas e as noras!

 As nossas messes não chegam para as necessidades do País, e isto há já muitos anos...

 Se o Alentejo deve continuar com a monocultura ou seguir o caminho mais risonho do regadio é uma questão que já no século passado se debatia. Segundo abalizadas opiniões - até estrangeiros -, tinhamos condições climatéricas e geológicas para transformar a campina alentejana no pomar da Europa. Aguardemos... sem deixar de pensar no Alqueva!

( Tão oportuna esta prosa de 1987!)

Prosseguindo:

 Ainda hoje o pão faz figura grada nos cozinhados alentejanos, mormente no das classes rurais.

 Um bom pedaço de pão, um naco de toucinho ou linguíça. ou ainda um punhado de azeitonas e uns goles de água da enfusa, e estava muitas vezes feita a refeição do rural.

 Na realidade, são muito raros os pratos em que não entre o pão. Até mesmo na doçaria o encontramos em muitas receitas, já cozido, ou então ainda em massa crua."

 

Este, é um dos sublimes textos que nos legou e que não resisti transcrevê-lo.

 


publicado por felismundo às 08:00
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2 comentários:
De inframodal a 7 de Janeiro de 2010 às 21:53
Nalgumas passagens de "A seara de vento" o Manuel da Fonseca descreve com maestria irreparável a habitual frugalidade de quem passava a vida a trabalhar, para quem o pão constituía bênção, não dos céus mas da terra, que tanto tempo se levou e ainda leva, nos dias de hoje, a conquistar...
"... E no fim,
Meu irmão,
Talvez comas o pão."


De felismundo a 8 de Janeiro de 2010 às 23:46
Sabes, o "Manel", sabia bem do que falava, ele, conhecia o seu povo, amava-o e imortalizou-o.
Ainda hoje, o sinto sempre ao pé de nós, com o seu queijinho na algibeira, pronto para um "copinho", acompanhado do abençoado pão, regado com o suor dos que, desde a sementeira à colheita e depois à debulha, transporte e transformação, nos davam aquela côdea, que tão bem sabia.


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