Sexta-feira, 19 de Março de 2010

CESTAS DE POESIA - 2

O meu amigo e irmão, "zegarr", mandou-me este poema/reflexão, que não pude deixar de publicar.

Ele  vem, sem dúvida, enriquecer a minha "cesta de poesias".

 

http://www.blogtribuna.com.br/Literatura/ImageBank/FCKEditor/image/mario%20de%20andrade%20por%20lasar%20segall.gif

"Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi."

Mário de Andrade

Biografia Mário de Andrade

Mário Raul de Morais Andrade (1893 - 1945) foi um poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo e ensaísta brasileiro. Foi um dos criadores do modernismo no Brasil.

Nascido em São Paulo, em meios aristocráticos, foi na música que Mário de Andrade começou a sua carreira artistica, formando-se em Música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde seria professor de História de Música.

O seu contato com a literatura começou cedo, em críticas escritas para jornais e revistas. Publicou o primeiro livro assinado com o pseudônimo Mário Sobral: "Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema" (1917).

Junto com Oswald e outros intelectuais, Mário ajudou a preparar a Semana de Arte Moderna de 1922, onde ganhou notoriedade. Respirou como ninguém os ares do novo movimento, vindo a publicar Paulicéia Desvairada (1922), o primeiro livro de poesias do Modernismo.

"Amar, Verbo Intransitivo" (1927), foi o seu primeiro romance.

 

O valioso tempo dos maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral.

'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!


publicado por felismundo às 08:05
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5 comentários:
De Emiéle a 19 de Março de 2010 às 19:23
Depois de uma semana ou mais longe da net, encontro aqui tanta coisa a comentar que nem sei se vou ter tempo para tudo! E desta vez a cesta vem tão cheia que é uma 'provocação' a quem se esquece de que há tão boa poesia em língua portuguesa (creio mesmo que a a maior das nossas artes)

Neste caso é um poema especial, chamas-lhe 'poema reflexão' e é muito bem visto! Faz pensar e de que maneira!


De felismundo a 19 de Março de 2010 às 19:57
Tem piada aforma como este texto poético, me veio parar às mãos. O amigo que me enviou, é um especial amigo que fez tropa comigo e com quem vivi momentos agradáveis e outros, nem tanto, mas que cimentaram uma amizade ao ponto de nos considerarmos irmãos. é um POEMA fabuloso e uma reflexão, absolutamente necessária.
Adorei o teu comentário, bem como a tua larguissíma participação, por isso, não tenho palavras para dizer mais nada.


De Anónimo a 25 de Março de 2010 às 00:48
ola. a ver isto entra.
até o blog, me está boicotar.
esse poema não conheço, mas é muito realista, e sim dá para uma pessoa se identificar com ele.
estar com pessoas, e...
tu entendes.
quanto a Pessoa, nem tenho palavras.
e ler, e reler, e beber da fonte das suas palavras e sabedoria.
gosto de muiros poemas dele, mas vem-me muito á memória o "mar de sargaços". pode não ser bem o nome do poema, mas é assim que o identifico,porque nos meus momentos mais dificeis, é com ele que me identifico.
....minha alama é pura e límpida e eu sou um mar de sargaços...
bjo
silvya


De felismundo a 25 de Março de 2010 às 16:22
Anónimo, chamada Silvya.
Fico contente por teres gostado, tando deste como do outro do Pessoa. Vou ver se encontro, neste "mar de sargaços" a medida certa para estarmos todos bem.
Ah, já me esquecia, afinal o blog não te boicotou, eh! eh! eh!!!


De silvya a 27 de Março de 2010 às 12:53
olá. aqui vai o poema com o qual me identifico muitas vezes, principalemente quando não estou nos meus dias "felizes", que são muitos últimamente.
Tudo o que faço ou medito
fica sempre na metade
querendo, quero o infinito.
fazendo, nada é verdade.

que nojo de mim me fica
ao olhar para o que faço!
minha alma é lúcida e rica
e eu sou um mar de sargaços!

um mar onde boiam lentos
fragmentos de um mar de além...
vontades ou pensamentos?
não o sei e sei-o bem.

e voilá!
é este um dos poemas que eu prefiro , a par com tantos outros.
faz de conta que hoje é dia de poesia.
até mais logo
do continente, hoje com um raio de sol, umbj
silvya



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