Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

CESTAS DE POESIA

Neste mini período de férias, nada melhor que vos trazer, para fazer companhia, o António Aleixo

 

http://nunoanjospereira.files.wordpress.com/2008/11/estatuaantonioaleixo.jpg

Estátua da autoria de Mestre Lagoa Henriques

Na esplanada do Café Calçinha, em Loulé, local onde o poeta passava, grande parte dos seus dias.

 

 

Deixam-me sempre confuso
as tuas horas boas,
por não te ver fazer uso
dessa moral que apregoas

P`ra te tornares distinto
e mostrar capacidade,
dizes sempre que te minto,
quando te digo a verdade

Não és, mas queres parecer
um santinho no altar;
mostras ao mundo , sem querer,
o que pretendes tapar.

Foges de mim, sei porquê;
quer`s ser grande, não estranho:
receias que quem nos vê
te julgue do meu tamanho

 

São parvos , não rias deles,
deixa-os ser, que não são sós;
as vezes rimos daqueles
que valem mais do que nós.

 

 

MOTE

 

Façam por não Verem Mais

Vós, ó mães idolatradas,
Façam por não verem mais
Crianças abandonadas,
Tísicas — nos hospitais.

GLOSAS

Sim, vós, ó mães carinhosas,
Criai as vossas filhinhas,
Educai-as de criancinhas,
Mas não em leis religiosas,
Que essas leis são perigosas,
E p'los homens inventadas.
Não sigam, pois, enganadas
Pelos padres sem consciência,
E amem o deus-Providência,
Vós, ó mães idolatradas!...

Se quereis ver a religião,
Já noutro tempo atrasado,
Leiam um livro chamado
«Mistérios da Inquisição»...
Lendo aí, compreenderão
Como as pessoas reais
Mandaram fuzilar pais
E mães sem fazerem mal.
Padres e gente real,
Façam por não verem mais.

E quando se saiba amar
Como irmãos, em toda a terra,
Bombas, revoluções e guerra
Para sempre hão-de acabar;
Nem mais se hão-de encontrar
Mulheres «matriculadas» —
Infelizes que, desonradas,
Ali procuram a morte,
Deixando, aos vaivéns da sorte,
Crianças abandonadas.

Hão-de acabar os ladrões,
Os patifes, os mariolas —
Quando se fizerem escolas
Das igrejas e prisões.
Hão-de acabar os patrões,
Que são prejudiciais —
Comprando bons enxovais
P'ràs suas filhas — enquanto
As dos pobres vertem pranto,
Tísicas — nos hospitais.

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."


publicado por felismundo às 10:51
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4 comentários:
De silvya a 2 de Abril de 2010 às 18:36
olá. bom dia de tarde.
vê-se bem que é António Aleixo.
sempre pertinente, tão certo...
lembrei-me daquelas quadras:
vós que lá do vosso império,
prometeis um mundo novo
lembrai-vos que pode o povo
querer um mundo novo sério!

Francisco Fanhais, canta-as, assim como canta Sophia, Manuel Alegre, e Gedeão e outros...
também eu queria ter um mundo novo a sério, e ser capaz de ser melhor do que sou.
sim, percebi melhor, a questão do pão, e realmente o pão alentejano é muito bom. eu gosto de pão a sério, não daquele branco, fatiado e sem sabor.(também gosto do de mafra, de centeio, e daquele que tem sementes).
quanto ao borrego, fiquei esclarecida, pelo menos no que toca à escolha , e enfim, observação do mesmo. um dia destes, vou praticar essa receita.
um resto de bom feriado.
abraço
silvya


De felismundo a 5 de Abril de 2010 às 23:16
Ainda bem que gostaste do António Aleixo.
Gostei que tivesses referido o Francisco Fanhais, pessoa de quem gosto muito, não só pelo que canta, como canta e pela pessoa que é. Obrigado Silvya.


De inframodal a 3 de Abril de 2010 às 04:25
Muito interessante e, acima de tudo, muito presente!


De felismundo a 5 de Abril de 2010 às 23:17
Sim, Inframodal, este é dos que nos acompanham para todo o sempre.


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