Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

CESTAS DE POESIA

"Não tenho hora marcada/ Ando ao sabor da maré"

"Não tenho hora marcada/ Ando ao sabor da maré"


Manuel Lopes da Fonseca nasceu em 15 de Outubro de 1911, em Santiago do Cacém.
Aqui se manteve até completar a instrução primária.
Desde muito cedo, por influência do pai, se iniciou no mundo da leitura.
Na escola, cultiva a sua paixão pela escrita.
A continuação dos estudos leva-o a Lisboa onde frequenta o colégio Vasco da Gama, o Liceu Camões e a Escola Lusitânia e, mais tarde, a Escola de Belas Artes. As férias passa-as em Santiago do Cacém.
Na grande cidade dá longos passeios. A vida nocturna fascina-o.
Encontra os seus primeiros empregos no comércio e na indústria. Apesar de muito ocupado, encontra tempo para o toureio e o desporto - jogou futebol, interessou-se pela espada e florete e  ousou mesmo ganhar um campeonato de boxe.
Em 1925 publica num semanário de província os seus primeiros versos e narrativas.
Foi habitual colaborador em revistas literárias, como  O Pensamento, Vértice, Sol Nascente e Seara Nova. Contestatário e observador por natureza, a sua escrita era seguida de perto pela censura.
Faleceu em 11 de Março de 1993, com 81 anos

 

 

Noite de Sonhos Voada

 

Noite de sonhos voada
cingida por músculos de aço,
profunda distância rouca
da palavra estrangulada
pela boca armodaçada
noutra boca,
ondas do ondear revolto
das ondas do corpo dela
tão dominado e tão solto
tão vencedor, tão vencido
e tão rebelde ao breve espaço
consentido
nesta angústia renovada
de encerrar
fechar
esmagar
o reluzir de uma estrela
num abraço
e a ternura deslumbrada
a doce, funda alegria
noite de sonhos voada
que pelos seus olhos sorria
ao romper de madrugada:
— Ó meu amor, já é dia!...

Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"


publicado por felismundo às 08:00
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6 comentários:
De Isidoro de Machede a 21 de Maio de 2010 às 16:44
Tantos tintos que bebi com a modesta sabedoria do companheiro Manel . E tanto que aprendi com a sua modesta sabedoria.


De felismundo a 25 de Maio de 2010 às 11:50
Pois é compadre!
Como eu sei,o bom que é poder reivindicar tal privilégio!
Foram "ganhos imensos", as horas, os minutos e os segundos em que a sua companhia foi efectiva, hoje resta-nos revivê-la, com tanta intensidade como nessas alturas, mas sem a sua companhia efectiva.


De silvya a 21 de Maio de 2010 às 20:24
que dizer?
é um poema, que permanece para além do tempo.
e diz tanto.
obrigada
silvya


De felismundo a 25 de Maio de 2010 às 11:54
Minha querida amiga, só hoje te respondo porque isto por aqui, com as festividades do "espírito santo", não nos deixam um segundo descansados para o fazer. Tens toda a razão no que afirmas, o Manel era e continua a ser assim, a encher-nos o coração!!!


De inframodal a 24 de Maio de 2010 às 12:08
O grande Manuel da Fonseca, património nacional nem sempre muito lembrado, mas muito querido de quem lhe conhece a obra, estonteante e sedutora, e também como exemplo de vida, um intelectual ligado à terra, coisa mui difícil e que, ou está no código genético ou então soa a falso... Tudo nele é genuíno!


De felismundo a 25 de Maio de 2010 às 11:57
Pois é, tu eras muito pequeno, mas ainda tiveste a sorte de o conhecer. Depois o Alentejo, a sua eterna ligação à terra, como muito bem explicas e um amor imenso às "gentes", misturado com o respeito pelas coisas simples, que são "BELAS"!!!


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