Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

ZECA MEDEIROS E O NOVO CD - "FADOS, FANTASMAS E FOLIAS"

“Fados, Fantasmas e Folias” estará disponível para compra já a partir de dia 15 de Dezembro na “Loja Açores”, em Lisboa, e na Livraria “Páteo das Letras”, em Faro. A 20 de Dezembro, estará disponível na “Loja Açores” de Ponta Delgada. O lançamento oficial do livro-disco realizar-se-á a 30 de Dezembro na Livraria «Solmar», em Ponta Delgada.

 

Novo CD "Fados, Fantasmas e Folias".
José Medeiros faz das palavras verdadeiras armas de pensamento, que fluem nos soberbos arranjos de Paulo Borges, Gil Alves, Carlos Guerreiro («Gaiteiros de Lisboa»), do jovem pianista Jorge Silva e de Manuel Rocha («Brigada Victor Jara»), entre outros. Destaque para a participação de João Afonso no tema «O Movimento da Sombra Chinesa», de Uxia em «Santiago Campo d'Estrelas», de Mariana Abrunheiro em «Sempre Há-de Ficar Uma Semente», do grupo «Moçoilas» em «O Romance do Soldado», de Filipa Pais em «Canção de Embalar (O Feitiço do Vento)» e de Rui Veloso em «Fado Insulano». Do disco fazem ainda parte «A Ilha de Arlequim» e «Balada da Praia do Norte», escritos para o telefilme «A Ilha de Arlequim». Uma viagem a não perder.Fados, Fantasmas e FoliasLetras e Músicas: José Medeiros; Produção: Eduardo Manuel, João Domingos (ALGARPALCOS) e José Medeiros; Direcção Musical: Paulo Borges; Arranjos: Paulo Borges e José Medeiros excepto "Moby Dick (A canção de Ismael)" e "O Beijo da Medusa" excepto "Camarim (A Canção da Timidez)", "Canção Açoriana (Sapateia, teia, teia)" e "Fado Insulano" ; Gravação: Rui Guerreiro (Vale de Lobos), Raul Resendes e Eduardo Botelho; Misturas: Rui Guerreiro; Masterização: Tó Pinheiro da Silva.

 

 


 

Permitam-me agora que nos detenhamos nas palavras de Urbano Bettencourt, que tão sábiamente soube passar à escrita, a sua visão do Zeca, da sua Arte e da sua Vida, ou melhor dizendo, dos seus Fados, dos seus Fantasmas e das suas Folias.

 

"Lê-se um título como Fados, Fantasmas e Folias e pensa-se em determinados géneros musicais e no tom que habitualmente lhes anda associado, entre a melancolia e a euforia, o solar e o sombrio. E esta pode ser uma primeira sugestão a ter em conta: partir em busca dos diferentes ritmos e padrões melódicos que José Medeiros convoca e de que se apropria, adaptando-os à circunstância do seu exercício criativo. De resto, essa pluralidade articula-se de modo natural com a dos modelos poéticos, que vão do assumidamente popular ao mais individualizado e pessoal. Independentemente de tudo isso, porém, podemos recuperar para o fados desse título a sua dimensão semântica clássica de fatalidade, um desígnio imposto por uma vontade superior inescapável. Porque há, efectivamente, um destino que se cumpre através desta voz e que sob múltiplas formas e registos se vai sucessivamente desvelando nas canções de José Medeiros. Destino no mar, dir-se-ia numa aproximação ao título de Dinis da Luz. Destino atlântico, acrescentar-se-á para nos darmos conta daquilo que no imaginário de José Medeiros se constitui como a radicação a um espaço e aos seus referentes identificáveis; desse lugar se parte, em resposta ao apelo do outro e da distância e à procura de outros universos humanos, sociais, culturais, que as canções acabam por atestar (aliás, quem se aproximar das criações ficcionais de José Medeiros no teatro, no cinema, poderá verificar que o mesmo se passa aí). Mas poder-se-ia especificar ainda mais este aspecto, falando de um destino insular atlântico, na medida em que uma «condição insular» se exprime tão manifestamente nalgumas das canções, pelas referências geográficas, históricas, que se detectam, por exemplo, na canção «Despe-te que suas», em que a percepção individual do mundo se cruza com as notações do destino colectivo açoriano. E essa mesma condição irrompe de forma tão óbvia quanto surpreendente em «Fado Insulano», um tema sobre a experiência da desterritorialização que, pelos reenvios textuais e pela componente melódica e rítmica, estabelece pontes entre a insularidade açoriana e a cabo-verdiana. É, pois, de viagens que se trata, sejam elas reais ou imaginárias, metáfora de um certo modo de vida marcado pela errância e pela deriva. Parte-se de um facto empírico (vejase por exemplo «Mar da Praia do Norte» ou «Santiago») para se atingir uma dimensão lírica ou crítica (no segundo caso), que é sempre uma forma de questionar o sentido das coisas e da vida. Mas isto não esgota os registos deste trabalho de José Medeiros, como o próprio título já indicia: estão aí as folias, o tom clownesco de certos momentos, o divertimento em tom irónico, distanciado, do «Tango do Eden Cabaret», na linha do exigido pela sua contextualização na peça teatral «O Sorriso da Lua nas Criptomérias». E estão ainda os fantasmas que vêm assombrando a obra musical e ficcional, de José Medeiros, entre eles o da guerra, na sua designação abstracta ou na particularização de África, como experiência da geração a que pertence o autor. E, depois, há sobre tudo isto a voz dramática de José Medeiros, dramática no sentido teatral do termo, de uma dicção que reflecte a própria experiência de representação do cantor e que alia ao timbre grave um intuito de fala para o outro, mesmo quando o actor se encontra sozinho na cena da canção, sem mais acompanhantes vocais.
Boa viagem, pois, a quem chegar e aceitar o convite de "Zeca" Medeiros."





publicado por felismundo às 20:03
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1 comentário:
De silvya a 6 de Janeiro de 2011 às 12:29
com menos atraso, mas a tentar ser fiel as amizades, aos habitos e claro , ao sesta.
sim. vou aproveitar a "viagem" que me ofereces através do zeca medeiros, para revisitar hoje e sempre zeca afonso.
o nosso zeca que nunca desiludiu ninguém...
obrigada, pelos bons momentos que proporcionas aqui pelo teu blog, pelas palavras e sensibilidade. não me sinto tão só e abandonada, digamos assim.
até logo.
bj
silvya


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