Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

POESIA POPULAR ALENTEJANA

Da década de quarenta do Séc. passado.
Hoje, infelismente, actual!!!

 

De Francisco Ralete, natural de Alegrete temos as seguintes Décimas

 

MOTE
Diz a mulher ao marido
não sei o que hei-de fazer
tu fartas-te de trabalhar
e não ganhas para comer

I

Anda ver estas crianças
que mandei deitar sem ceia
às escuras sem candeia
como se fosse por vingança
no almoço não há esperança
onde elas têm o sentido
o meu corpo esta esvaído
quase não posso andar
lastimando-se quase a chorar
diz a mulher ao marido

II

Levantam-se a gritar
que até corta o coração
coitadas querem o pão
e eu não tenho para lho dar
não tenho almoço nem jantar
não tenho nada de comer
só Deus me pode valer
e deito-ma apoquentada
Não tenho azeite não tenho nada
não sei o que hei-de fazer

III

Para que matas o corpo
para que vives sem alegria
trabalhas de noite e de dia
e daqui amanhã estás morto
o teu patrão arranja outro
para ir para o teu lugar
cá estou eu para me ralar
sem ter a que deitar mão
fico sem linhas e sem sabão
e tu fartas-te de trabalhar

IV

Não temos tição nem brasa
aqui morremos ao frio
aí vem o senhorio
pedir a renda de casa
ralhando porque se atrasa
eu disso não quero saber
venho para o receber
quer vocês o tenham ou não
vai e diz ao teu patrão
que não ganhas para comer


publicado por felismundo às 16:29
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2 comentários:
De Pé-de-cereja a 28 de Fevereiro de 2013 às 19:07
Oportuno, realmente.
Ainda era o marido a trabalhar e a ganhar pouco. Hoje, vai-se a ver estão os dois desempregados...


De felismundo a 4 de Março de 2013 às 13:20
Parecendo que não, duplicou o drama!!!


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