Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

UM POEMA AO ACASO

 

Bertolt Brecht

 

1

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2

E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3

Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4

Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

 

NOTA: Experimentem a trocar a palavra "Fuhrer" , por "Primeiro Ministro", este ou o que se adivinha!!!


publicado por felismundo às 18:29
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Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

CESTAS DE POESIA

 

Escutemos as palavras de Neruda pela voz de Jak Madruga!

 

 

 


publicado por felismundo às 11:14
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Sexta-feira, 4 de Junho de 2010

CESTAS DE POESIA

Se isto não é poesia, o que é a poesia?

 

música: A Galopar

publicado por felismundo às 08:00
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

CESTAS DE POESIA - 1

 

 





XLIV



Saberás que não te amo e que te amo

pois que de dois modos é a vida,

a palavra é uma asa do silêncio,

o fogo tem sua metade de frio.



Amo-te para começar a amar-te,

para recomeçar o infinito

e para não deixar de amar-te nunca:

por isso não te amo ainda.



Amo-te e não te amo como se tivesse

nas minhas mãos a chave da felicidade

e um incerto destino infeliz.



O meu amor tem duas vidas para amar-te.

Por isso te amo quando não te amo

e por isso te amo quando te amo.



in Cem Sonetos de Amor

Campo das Letras


publicado por felismundo às 07:00
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