Sábado, 12 de Abril de 2008
OS NÚMEROS
O dez tocava viola
O vinte tocava pratos
O trinta jogava à bola
O quarenta caçava ratos
I
O um era hortelão
O dois era caçador
O três era prior
O quatro era pimpão
O cinco era campeão
O seis ninguém enrola
O sete pedia esmola
O oito era camponês
O nove era maltês
O dez tocava viola
II
O onze vendia vinho
O doze era sargento
O treze era azarento
O catorze anda sozinho
O quinze era espretinho
O dezasseis era ingrato
O dezassete fala-barato
O dezoito era campónio
O dezanove toca harmónio
O vinte tocava pratos
III
O vinte e um era albardeiro
O vinte e dois cantava o fado
O vinte e três guardava gado
O vinte e quatro era aguadeiro
O vinte e cinco era engenheiro
O vinte e seis era estarola
O vinte e sete carrega a mola
O vinte e oito era alpinista
O vinte e nove era ciclista
O trinta jogava à bola
IV
O trinta e um era soldado
O trinta e dois cantoneiro
O trinta e três era ceifeiro
O trinta e quatro era chalado
O trinta e cinco era tarado
O trinta e seis apanhava gatos
O trinta e sete vende sapatos
O trinta e oito comia os feles
O trinta e nove vendia peles
O quarenta caçava ratos
Manuel Luis Ribeiro de Pavia
De
emiele a 13 de Abril de 2008 às 10:53
Tão interessantes estas lenga-lengas! E a verdade é que ajudavam a ensinar muita coisa!
Quando era pequenina e aprendia «dedo mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolos e mata-piolhos».
Claro que os dedos não se chamam assim, mas sempre ia aprendendo a distingui-los...
Esta forma de poesia popular, chama-se, "décimas", e é, particularmente usada no Alentejo. É dado ao "poeta" uma quadra a que se chama "mote" ou "glosa", sobre a qual ele verseja da forma que aqui se apresenta. Aparentemente de uma grande simplicidade, dado os temas que, normalmente, trata, pode, às vezes tomar aspectos mais complicados, mas sempre com este ar gracioso e atrevido.
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