Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

LEMBRANÇA DE DIAS DE MELO

Dias de Melo, escritor, natural da Calheta do Nesquim, Alto da Rocha do Canto da Baía, Ilha do Pico, partiu aos 83 anos de idade,

Ainda, há poucos meses, estive com ele na homenagem que o governo da região, atempadamente, lhe prestou e dias depois fui encontra-lo, de novo, em Lagoa, S. Miguel, quando dos encontros da Lusofonia. Estava já bastante debilitado mas, ainda com força para autografar a reedição de parte da sua obra

 

.

 

Hoje, dando a volta a algumas das suas obras, deparou-se-me uma primeira edição de, "Cidade Cinzenta", datada de 1971 e editada, pelo autor com composição e impressão nas oficinas gráficas da Papelaria da Matriz - Ponta Delgada e inserida na colecção Gávea Glacial.

 

É dessa obra que retiro esta dedicatória que, segundo a minha opinião, demosntra bem o carácter do Autor.

 

"À TIA MARIA HERMÍNIA ÁVILA

 

Os serões eram longos. Da tulípa do tecto, a luz caía sobre a mesa redonda. Sentada à roda da mesa, tu lias, eu escutava o que tu lias. Lias Eça, Camilo, Junqueiro, Antero, Ferreira de Castro, Zola, Victor Hugo, Martin du Gard, Blasco, Tolstoi, os nossos Florêncio Terra, Nunes de Rosa, ainda vivos, Bernardo Maciel, ainda por publicar. E mais, e mais... Lias , explicavas, querias que eu discutisse contigo de igual para igual. E falavas de tanta coisa!

Outra me incutira o gosto pela Literatura — ou começara a cultivar em mim, esse gosto que nascera comigo. Tu — davas-me consciência, ensinavas-me a pensar, formavas-me o ideal. Como em criança me trouxeras ao colo e ajudaras a minha Mãe e ensinar-me a caminhar.

Um dia mostrei-te os meus primeiros escritos. Eram versos. Encheram-se-te os olhos míopes de alegria. Leste-os. Foste com eles ao Poeta da nossa cidade.

Depois, paguei-te com a maior das ingratidões. Sei que me perdoas-te.

O amor, porém, que desde sempre te votei — esse nunca morreu dentro de mim. Está, com tudo o que aprendi contigo, em todas as palavras que tenho escrito — e neste livro, que é para ti."


publicado por felismundo às 14:43
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4 comentários:
De Emiéle a 25 de Setembro de 2008 às 19:57
Estava a calcular que ias escrever sobre este escritor.
Eu vou agora procura obras dele, porque tenho de confessar que não li nenhuma
A transcrição que fazes já dá um cheirinho do que se vai ler...
Ainda bem que ele recebeu a homenagem em vida. Já chega de se homenagear quando as pessoas já cá não estão para as receber.


De felismundo a 25 de Setembro de 2008 às 20:05
Dias de Melo, é essencialmente um contista, da escola neo-realista, que nunca esqueceu a sua terra, a Ilha do Pico e as sua gentes, os baleeiros.
Tomei conhecimento da sua obra, nas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, ainda como leitor, com o romance Pedras Negras, editada em 1965 pela Portugália, quiçá a sua obra mais emblemática.


De Sérgio Ávila a 4 de Fevereiro de 2011 às 15:33
Esta foto é de João Melo. Por favor usem as fotos citando os autores!


De felismundo a 8 de Fevereiro de 2011 às 22:35
Meu caro Sérgio Ávila, é bom, tê-lo por cá e aceito a sugestão de indicar a paternidade das fotos. Acontece que a net é uma mãe que se não lembra dos pais e, quando de lá retirei a foto em apreço tal aconteceu, daí a não referência ao fotógrafo mas, como, em boa hora o fez, agradeço a sua referência.


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