Terça-feira, 16 de Junho de 2009

MARIA, AGORA SIM!

Isto de ter amigos, tem destas coisas.

A Maria, que costuma honrar-me com os seus comentários, deixou-me um link, que acrescenta, alguma mais valia à notícia da oferta do espólio de Jorge de Sena.

Para que todos possam ter acesso, mais rápido,AQUI, vo-lo deixo, com um grande agradecimento, à Maria.


publicado por felismundo às 22:24
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

JORGE DE SENA

São,notícias destas, que nos fazem sentir gente.

Apesar de ter sido obrigado a refugiar-se no estrangeiro, no regime anterior, o gesto que agora a viúva, Mécia de Sena e os filhos, com a entrega do seu espólio à Biblioteca Nacional, enchem-nos de orgulho.

Só que, estes SINAIS, não fazem notícia ao invés dos estafados casos dos "bancos" e das tricas que motivam, ocupando os horários nobres das nossas notícias.

Espalhemos a notícia!!!


publicado por felismundo às 19:24
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Domingo, 14 de Junho de 2009

CURIOSIDADES

Acabo de ter conhecimento de que algo se passa e começo a ficar preocupado.

Então eu, que vivo nos Açores, onde a "vaca", é o nosso petróleo.

Não acreditam, então leiam, AQUI, e digam de sua justiça.

 


publicado por felismundo às 18:55
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MÚSICAS DE DOMINGO

Passou ontem o vigésimo quinto aniversário da sua morte.

Bom será, não o esquecer!!!

 

 

 


publicado por felismundo às 07:00
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Sábado, 13 de Junho de 2009

NO SÁBADO, PINTURA!

Aproveitando a maré do bom tempo, misturada com estes dias de lazer, uma homenagem às MULHERES!

 

 

 

música: Chris Botti

publicado por felismundo às 09:34
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

CESTAS DE POESIA

Do Mar

Aqueles de um país costeiro, há séculos

 

contêm no tórax a grandeza

 

sonora das marés vivas.

 

Em simples forma de barco,

 

as palmas das mãos. Os cabelos são banais

 

como algas finas. O mar

 

está em suas vidas de tal modo

 

que os embebe dos vapores do sal.

 

 

 

Não é fácil amá-los

 

de um amor igual à

 

benignidade do mar.

 

 


Fiama Hasse Pais Brandão, As Fábulas (ed. Quasi, 2002)

 

 

 

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

Fiama Hasse Pais Brandão

(Lisboa, 15 de Agosto de 1938 — Lisboa, 19 de Janeiro de 2007) foi uma escritora, poetisa, dramaturga, ensaísta e tradutora portuguesa.

A sua infância foi passada entre uma quinta em Carcavelos e o St. Julian's School. Foi estudante de Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo sido um dos fundadores do Grupo de Teatro de Letras. Foi casada com Gastão Cruz.

Estreou-se como autora com Em Cada Pedra Um Voo Imóvel (1957), obra que lhe valeu o Prémio Adolfo Casais Monteiro. Ganha notoriedade no meio literário com a revista/movimento Poesia 61, em que publica o texto «Morfismos». É considerada como uma das mais importantes escritoras do movimento que revolucionou a poesia nos anos 60. Foi premiada em 1996 com o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. O seu livro Cenas Vivas foi distinguido em 2001 com o prémio literário do P.E.N. Clube Português.

A sua actividade no teatro iniciou-se com um estágio, em 1964, no Teatro Experimental do Porto e com a frequência de um seminário de teatro de Adolfo Gutkin na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1970. Em 1974, foi um dos fundadores do Grupo Teatro Hoje, sendo a sua primeira encenadora com Marina Pineda, de Federico García Lorca. Em 1961 recebeu o Prémio Revelação de Teatro, pela obra Os Chapéus de Chuva. É autora de várias peças de teatro.

Traduziu obras de língua alemã, de língua inglesa e de língua francesa, de John Updike, Bertold Brecht, Antonin Artaud, Novalis e Anton Tchekov, entre outros.

Colaborou em publicações como Seara Nova, Cadernos do Meio-Dia, Brotéria, Revista Vértice, Plano, Colóquio-Letras, Hífen, Relâmpago e A Phala.


publicado por felismundo às 07:00
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

ÁS QUINTAS, GASTRONOMIA!

Uma recordação de infância.

 


GALINHA DE FRICASSÉ

Ingredientes (4 pessoas)

1 galinha
120 g de banha
4 dentes de alho
2 cebolas
1 ramo de salsa
3 gemas de ovo
1 limão
Louro
Sal
Pimenta


Como Fazer

Limpe a galinha e parta-a. Faça um refogado, em lume brando com a banha, os dentes de alho, as cebolas e a salsa bem picadas e o louro partido. Tempere de sal e pimenta. Acrescente um pouco de água e deixe que a galinha coza. Entretanto, bata as gemas juntamente com o sumo de limão, de molde a que fiquem bem incorporadas. Acrescente este molho à galinha, fora do fogo. Leve, de novo, ao lume e deixe engrossar a calda.
Rectifique temperos e polvilhe com  salsa. Acompanhe com arroz branco e fatias de pão frito e sirva
 


publicado por felismundo às 11:49
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Domingo, 7 de Junho de 2009

MÚSICAS DE DOMINGO

 Mais um músico português!

 

 

 


publicado por felismundo às 07:00
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Sábado, 6 de Junho de 2009

NO SÁBADO, PINTURA!

Hoje, deixo-vos um vídeo um tanto ou quanto diferente.

 

 

 


publicado por felismundo às 12:43
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

CESTAS DE POESIA

Desta feita, as CESTAS DE POESIA, serão dedicadas a uma "Senhora", que tive a honra e o o prazer de conhecer e de trabalhar.

 

Glória de Sant'Anna



Por M.Margarida Pereira-Müller

A.A. Nº 244/1967
   

"O portal da Internet sobre Glória de Sant'Anna começa com uma pergunta: "Já alguma vez arrancou uma planta útil da terra? Não o faça. Eu sei o que sente uma planta arrancada sem culpa do seu chão". (do Livro Amaranto). Que mulher é esta que sente com as plantas?

" Eu naveguei pelo interior de um longo rio humano

de tempos diversos onde também há sangue vegetal,

buscando o que acabei por encontrar - a imensa

angústia que se reparte.

Sobre isso escrevo.

Mas cuidado: a música da palavra é um casulo de

seda. Só dobando-o com olhos atentos se chega à

verdade - a solidão ansiosa e disponível.

No entanto, que cada um faça a sua leitura."

É este o texto que está na capa do "Amaranto" e depois repetido, por sugestão da editora moçambicana Ndjira, na capa do "Solamplo". Glória de Sant'Anna não se considera uma mulher "extremamente triste e melancólica", mas sim, atenta às angústias do mundo. O que não exclui momentos de alegria e felicidade.

Após o curso Complementar de Letras no colégio, para onde entrou com dez anos e onde colheu "conhecimento intelectual, disciplina, camaradagem e também sentido de honra", ou seja, como ela própria diz, "o prolongamento do que tinha em casa", fez "Pedagógicas e outros exames que me deram acesso ao ensino secundário" com o intuito de seguir a carreira docente. Glória sente-se professora por vocação. "Eu fui professora do secundário - letras - português - inglês e história, durante vários anos. O contacto diário com aqueles jovens, era um forte elo de conhecimento mútuo e de partilha".

Casou em 1949 e, dois anos depois, partiu para Moçambique, para em Nampula. Em 1953 mudou-se para Porto Amélia (hoje Pemba), onde permaneceu, frente à vasta baía, até 1972. Passou os dois últimos anos em Moçambique em Vila Pery (hoje Chimoio). Para muitos críticos literários, entre eles Carmen Lúcia Tindó Ribeiro Secco, este foi o seu primeiro exílio. Glória não vê esta partida porém como exílio. "Ir para Moçambique não foi um exílio no sentido de punição. Foi a busca de novos lugares para iniciar o lado profissional e de realização de ambos - de meu marido e meu".
   

Viver em Moçambique deu-lhe tudo o que a vida poderia oferecer: "seis filhos. E todos eles eram conscientes dos momentos que se atravessavam lá. A intensidade dos factos, as justiças e injustiças. A amizade plena", diz-nos Glória. Sentiu que tinha uma missão - "Nós éramos dos que estavam ali para viver, e transmitir o que sabíamos de útil".

Se bem que tenha começado a escrever logo em pequena, foi em Moçambique que publicou as suas primeira obras, a começar com "Distância" em 1951. E são as gentes e as paisagens moçambicanas que a inspiram. "A minha "musa inspiradora" ( e não sei porquê lembrei-me dos estudos da literatura dos clássicos ), eram as gentes em que eu estava inserida como povo. O mar...bem. O Atlântico é aquela base de sustentação das raízes lusitanas - navegações e força dos descobrimentos. O Índico, é aquela base de navigabilidade pelo sonho e pela descoberta. Pela certeza - e volto a repetir - de ser útil numa amplitude maior."

Senão vejamos:

"Negrinha faceira,

dentro da água cálida,

quem olhará

tua graça?

Ou quem verá teu riso

esparso

entre uma onda translúcida

e um sargaço?

(...)

Os teus pés estão sobre os búzios claros

e vazios,

e há música e sol

em teus ouvidos.

Mas quem passa, deixando pegadas na areia,

não olha para ti, negrinha faceira.

( Amaranto, 1988, p.62 )

Paralelamente à escrita e à docência, Glória de Sant'Anna colaborou com diversos jornais (Diário Popular, Guardian (Lourenço Marques), Itinerário (Lourenço Marques) Diário de Moçambique (Beira), Notícias (Lourenço Marques), Tribuna (Lourenço Marques), Sul (Brasil), Caliban (Lourenço Marques) e Colóquio Letras da Gulbenkian) e com a rádio durante muitos anos - "Esse era "o meu largo espaço" e outro meio de transmissão de conhecimentos por vezes com muito peso de carácter social".
   

Em 1961, e apesar de ser considerada uma escritora moçambicana, ganhou o Prémio para o "Livro de Água", o que lhe deu um certo contentamento - "Ser considerada o melhor poeta do ano, que era o que este prémio contemplava, é agradável. Mas não me deixou adormecer sobre os "louros da glória", passe o trocadilho. A intenção da atribuição desse prémio (ainda que o livro possa valer literariamente) era muito mais a de criar liames com as colónias, do que outra coisa."

1961 foi também o ano do início da guerra colonial. Uma guerra é sempre uma situação difícil, especialmente para as pessoas de grande sensibilidade - "As guerras só trazem mortos estropiados e mágoas". Escreve Carmen Secco: "Afirmando-se por um ethos existencial e humano, a poética de Glória, com imensa sensibilidade e delicadeza de sentimentos, também critica os preconceitos raciais presentes em Moçambique; só que o faz de forma suave, velada e subtil".

No poema Sexto do livro Cancioneiro Incompleto ( temas da guerra em Moçambique , 1961 - 1971), Glória condena a violência que destruiu os macondes, cujas esculturas celebra :

"(...)

( cada figura crescia de suas mãos negras

como se brotasse da sua própria fina pele

solta para a claridade e portadora

de igual agreste impulso

e em seu rosto

e em suas pupilas alagadas

era o mesmo secreto tempo de amar )

Hoje o pesado e oculto pau preto

jaz dentro da ausência

pleno de irreconhecíveis figuras

que perpassam iguais às da nossa memória(...)

(Amaranto, 1988, p. 97 )

À guerra colonial, seguiu-se a independência que, para Glória "foi a consequência que tinha que ser e com a qual aliás concordo. Só que os processos usados não foram certos". À independência segue-se o regresso à metrópole - esse, sim, um verdadeira exílio, "uma punição por ter voltado de lá e ter ficado simplesmente por razões de família que não tinham nada a ver com o tempo político que se atravessava. Aí, senti-me a tal planta útil arrancada do seu chão. Aquele chão onde ficaram enterradas as minhas placentas".

Glória tentou encontrar o rumo à sua vida. Durante quatro anos nada escreve. "Em Portugal, de Norte para Sul e do Sul para Norte, entre Ovar e o Algarve, tentando reencontrar o rumo que não havia (o mar, que é bom "porque é concreto", ficara para trás), Glória de Sant'Anna foi sobrevivendo ao rés de um desespero nem sempre inteiramente dominado" - é assim que Eugénio Lisboa descreve esse período da vida de Glória.
   

Mas com a fixação da residência perto de Ovar (perto do mar...), Glória parece reencontrar a paz de espírito e, com ela, volta a vontade de escrever. A escrita faz parte do seu dia a dia. Mesmo actualmente, como aposentada, e repartindo o tempo pela casa e pela família, continua a escrever. É que "escrever é como respirar".

Caixa

A obra publicada de Glória de Sant'Anna

· Distância (1951)

· Música Ausente (1954)

· Livro de Água (1961)

· Poemas do Tempo Agreste (1964)

· Um Denso Azul Silêncio (1965)

· Desde que o Mundo (1972)

· Do Tempo Inútil (1975)

· Amaranto (1988) (que inclui 4 livros inéditos: A Escuna Angra (1966-68); Cancioneiro Incompleto (temas de guerra em Moçambique, 1961-71); Gritoacanto (1970-74 e cantares de Interpretação (1968-73)

· Não Eram Aves Marinhas (1988)

· Zum-Zum (1996)

· Solamplo (2000)

· O pelicano velho (2003)

· Ao Ritmo da Memória (2003)

Algumas referências à obra de Glória de Sant'Anna:

1. Lisboa, Eugénio; Glória de Sant'Anna: How purity can also be commitment, Santa Barbara Portuguese Studies, 1994; 4: 207-219.

2. Vieira, Vergílio Alberto; Glória de Sant'Ana, Letras & Letras (Porto), 1990 Dec. 5; 4 (36): 9.

3. Ferreira, Manuel; ... Porque Infinita E a Bondade Divina!, Jornal de Letras, Artes & Ideias (Lisbon), 1990 July 24-30; 10 (420): 13.

4. Lisboa, Eugénio; Glória de Sant'Anna: O Silêncio Intimo das Coisas, Prelo: Rev. da Imprensa Nacional (Lisbon), 1984 Oct.-Dec.; 5: 93-100.

Há também estudos feitos à obra de Glória de Sant'Anna por :

João Gaspar Simões (Lisboa)

Fernanda e Matteo Angius (França)

Fernando Ferreira de Luanda (Brasil)

Maria Lúcia Lepecki (Universidade de Lisboa)

Michel Laban (Universidade Sorbonne)

Revista Brotéria (Lisboa)

José Lois Garcia (Barcelona)

Marie Claire Vremont (Bruxelas)

Almerindo Lobo (Moçambique)

René Pélissier (França)".

 


 

 

Nota: - Glória de Sant'Anna, foi a primeira directora do Emissor Regional de Vila Pery, actual Chimoio, em Moçambique. Trabalhamos, juntos, desdo o primeiro dia. Quando abandonou o lugar, fui o seu substituto.

Sei que, agora nos deixou.

Havemos de voltar a fazer "Rádio", um dia!!!

Ha


publicado por felismundo às 11:34
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