Quarta-feira, 2 de Maio de 2007

Mais um poema, como só a língua portuguesa pode produzir.

Na senda da poesia erótica, descobri este lindíssimo poema de Rui Nogar, poeta Moçambicano.

Xicuembo

Eu bebeu suruma
dos teus ólho Ana Maria
eu bebeu suruma
e ficou mesmo maluco

agora eu quero dormir quer comer
mas não pode mais dormir
não pode mais comer

suruma dos teus olhos Ana Maria
matou sossego no meu coração
oh matou sossego no meu coração

eu bebeu suruma oh suruma suruma
dos teus ólho Ana Maria
com meu todo vontade
com meu todo coração

e agora Ana Maria minhamor
eu não pode mais viver
eu não pode mais saber

que meu Ana Maria minhamor
é mulher de todo gente
é mulher de todo gente
todo gente todo gente

menos meu minhamor.

Rui Nogar

publicado por felismundo às 23:37
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2 comentários:
De jos palmeiro a 3 de Maio de 2007 às 13:03
Tens toda a razão, amiga, faltou a identificação do Rui. Já fiz o que faltava, obrigado pela lembrança.


De Emile a 3 de Maio de 2007 às 09:00
É um dos melhores poemas dele.
Eu conheci-o, há séculos. Fazia parte do grupo do Craveirinha e de uma série de intelectuais moçambicanos que poderiam ter ido bem longe se as condições fossem outras.


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