Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007

O TPC DA ISABEL, QUE JÁ FOI DA EMIÉLE, QUE COMEÇOU NA RAPOSINHA.

Isabel, não fujas, que não tenho por hábito, sequer, correr.
Pois bem, a Isabel resolveu passar-me a bola, até parecia do Atlético.
Descendo às profundezas da minha infância, de que me lembro eu?
Vou tentar escrever o que de mais importante, se é que há coisas mais importantes, a memória ainda guarda, de devaneios e realidades e de algumas espectativas, umas frustradas outras, nem tanto.
Nasci, como todas as crianças, do ventre de minha mãe. Tive uma infância feliz, rodeado por uma família numerosa, de primos e primas, tios e tias e avós, o casal, do lado paterno, algo distantes, habitavam noutra terra e o Avô Armando, o patriarca da família, pai de minha mãe.
Figura imponente e marcante, ele era o centro de uma família de gente de trabalho. Tios, eram sete e primos, dez. Refiro só os mais chegados, os de todos os dias, porque dos outros, os mais afastados, havia uma enormidade a viver, tudo, na mesma cidade.
O avô Armando, era uma pessoa muito especial, filho de mãe espanhola e pai português, era aquilo a que, com propriedade, se poderia chamar, um Ibérico total. Eu herdei esse sentimento, dentre outros. Era um homem ligado às coisas do campo e da agricultura, tendo sempre trabalhado para uma casa agricola, da região. Bom "garfo" e melhor "copo", amigo e companheiro dos netos, levava a vida no seu ritmo, sem presas, que as coisas com tempo, têm outro sabor. Foi esse o maior e melhor ensinamento, de todos os saberes que ele nos legou, juntamente com todo um sentido profundo de humanidade, de que muito me orgulho.
Quis o destino, que me criasse como filho único, a vida do pós-guerra, não era fácil e foi essa a maneira que os meus progenitores encontraram de me proporcionar, alguma qualidade de vida, sempre questionei a falta de um irmão ou irmã, mas...
Cresci feliz, rodeado de família e de amigos e as coisa foram-se passando, com a normalidade e a temporalidade, dos campos do Alentejo. Lembro-me de querer ser bombeiro, de ir aos ninhos, brincar às guerras e de jogar hóquei, eramos campeões do Mundo, e o Amadeu José de Freitas, fazia uns relatos magníficos. Depois as aventuras da escola, andei em "n", desde as rurais às citadinas, o meu primeiro cigarro, um "20-20-20", só essa história, dava um romance, os banhos na Quinta do Maduro, enfim, uma vida urbano-rural, que durou até ao fim do secundário. Depois foi Lisboa e o curso de Veterinária, mais uma vez o apelo pela terra. Essa Lisboa, que nada tem a ver com a de hoje, ensinou-me toda a "malandragem", que sei, e que me orgulho possuir. A guerra, entretanto, subtrái-me à vida estudantil, ficando o curso, pelo início, mais para meio. Seguem-se quarenta e seis meses e meio de "defensor da pátria", de sonhos desfeitos e de sustos constantes, difíceis esses tempos!
Andei nos movimentos associativos e, mesmo na tropa, lá fui metendo o "pauzinho na engrenagem", sempre que possível.
O "25 de Abril", apanhou-me em Moçambique, país onde nasceu um dos meus filhos, o que para mim é um orgulho.
De volta ao "Puto", só uma coisa tinha importância, a revolução. Passei por muita coisa e hoje sinto-me defraudado, não foi para isto que eu dediquei o meu esforço e empenho.
Entretanto, depois de ter sido bancário, integrei os quadros da Fundação Calouste Gulbenkiam, num serviço, muito especial, as Bibliotecas Itinerantes. Experiência única, que me acompanhará até ao fim dos meus dias. Os livros, os leitores, os autores e uma certeza, de que a CULTURA é a maior riqueza dos povos, enfim, da VIDA!

publicado por felismundo às 17:57
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De Emile a 9 de Janeiro de 2007 às 20:27
Que bonito post, Zé Palmeiro! Dos melhores que aqui tenho lido.
E contudo, a bem dizer não respondste bem, bem, à pergunta «o que querias ser em pequenino» porque falaste em ser bombeiro mas ficou um pouco vago se era apenas isso ou havia mais algum desejo. Porque a veterinária só veio em crescido pelo que entendi...
Mas foi um belo resumo de uma vida rica e bem vivida. Digo 'bem' no seu melhor sentido, é claro.


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