Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

POESIA NO NATAL

Hoje, trago aqui um poeta africano.
Camara Laye, é considerado um clássico do jovem romance negro, porque foi o autor do primeiro autêntico romance válido tendo a vida em África como tema.
Nascido na Guiné, em 1928, filho de um ferreiro da aldeia, completou os seus estudos em França.
A prosa poética que aqui apresento, foi extraída de "L'Enfant Noir" e constitui uma comovente evocação da mãe, marcada por uma explêndida ternura contida e capaz de esboçar um quadro geral onde a maravilha da infância é reinventada tendo a figura da mãe como centro e razão de ser da descoberta desse universo.


mulher africana.jpg


A MINHA MÃE

Mulher negra, mulher africana, ó minha mãe, eu penso em ti...

Ó Dâman, ó minha mãe, tu que me trouxeste às costas, tu que me aleitaste, tu que dirigistes os meus primeiros passos, tu que foste a primeira pessoa a abrir-me os olhos para os prodígios da terra, eu penso em ti...

Mulher dos campos, mulher das ribeiras, mulher do grande rio, ó minha mãe, eu penso em ti...

Ó Dâman, ó minha mãe, tu enxugaste as minhas lágrimas, que alegravas o meu coração, tu que pacientemente suportavas os meus caprichos, como eu gostaria de estar ainda junto de ti, ser criança junto de ti!

Mulher simples, mulher resignação, ó minha mãe, eu penso em ti...

Mulher negra, mulher africana, ó minha mãe, obrigado; obrigado por tudo o que fizeste por mim, teu filho, tão longe, tão perto de ti.

CAMARA LAYE

publicado por felismundo às 19:48
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2 comentários:
De felismundo a 16 de Dezembro de 2007 às 22:13
Fico imensamente feliz. Foi a pensar, na minha mulher e em todas as minhas amigas que o publiquei.
Para nós, tem um significado especial pois conheci-o, na "Página Cultura e Arte" do Notícias de Moçambique de 24 de Janeiro de 1975.


De emiele a 16 de Dezembro de 2007 às 21:23
Quando por cá passei da primeira vez os comentários estavam enguiçados e o que escrevi não entrou. Depois de umas tentativas, desisti com a ideia de voltar mais tarde, e ... passou-me.
Volto hoje para repetir que este é o verdadeiro poema de Natal. Qualquer nascimento é um Natal, esta doçura expressa pelo Camara Laye (que não conhecia, até agora) sendo um hino à maternidade ´um hino de Natal.
Muito belo.


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